Indicação de Cuca ao Remo reacende caso polêmico e provoca onda de rejeição entre torcedores
Torcedores azulinos se mobilizam nas redes sociais contra a possível contratação do treinador
Crédito: Reprodução Segundo o jornalista Tomazão, o nome do técnico Cuca ganhou força nos bastidores do Clube do Remo para assumir o comando da equipe na Série A de 2026. O treinador tem história com o Leão: atuou como jogador do clube em 1994, na última participação azulina na elite do futebol brasileiro, e voltou como técnico em 2001, quando substituiu Paulo Bonamigo. Mesmo assim, a informação não foi bem recebida pela maior parte da torcida.
Nas redes sociais, o clima é de rejeição absoluta. “Se o Cuca for anunciado pelo Remo, não tem sócio, não tem jogo, não tem comentário, não tem engajamento, não tem nada”, escreveu um torcedor. Outro classificou a possibilidade como “ridícula” e afirmou que contratar o treinador seria “um baita desrespeito com os torcedores e a própria instituição Clube do Remo”. Houve ainda quem destacasse que a escolha poderia “sujar a imagem positiva do retorno do Remo à Série A depois de 31 anos”, chamando atenção para o impacto especialmente entre as torcedoras mulheres.
As reações estão diretamente relacionadas ao caso pelo qual Cuca foi condenado em 1989, na Suíça, por estupro. O episódio ocorreu em 1987, durante uma excursão do Grêmio pela Europa. À época, Cuca e outros três jogadores foram acusados de terem mantido relações sexuais sem consentimento com uma adolescente de 13 anos em Berna. A polícia suíça concluiu que a jovem foi puxada para dentro do quarto dos atletas, que teriam abusado dela. Os quatro chegaram a ficar cerca de um mês presos antes de retornar ao Brasil mediante pagamento de fiança.
Dois anos depois, em 14 e 15 de agosto de 1989, o julgamento ocorreu sem a presença dos acusados. Cuca, Eduardo e Henrique foram condenados a 15 meses de prisão por atentado ao pudor com violência; Fernando foi absolvido dessa acusação, mas condenado por estar envolvido no ato violento. Cuca sempre negou o crime.
O caso voltou à tona em abril de 2023, quando o treinador deixou o Corinthians após apenas dois jogos, em meio a forte pressão da torcida. Naquela época, a diretora dos Arquivos do Estado de Berna, Barbara Studer, afirmou que os documentos do processo indicavam que havia sêmen de Cuca no corpo da vítima, e que a jovem o havia reconhecido durante a investigação.
Após deixar o time paulista, o treinador mobilizou uma equipe de advogados para tentar reabrir o caso na Suíça. Com o processo já prescrito e diante da morte da vítima em 2002, além da recusa do filho dela em participar da revisão, o Tribunal Regional de Berna-Mittelland decidiu, em janeiro de 2024, anular o julgamento de 1989. A decisão não entrou no mérito da inocência ou culpa de Cuca; considerou apenas que o processo original ocorreu de forma irregular, à revelia. O tribunal ainda determinou o pagamento de 9,5 mil francos suíços ao ex-jogador a título de indenização.
Agora, com o retorno do Remo à Série A após mais de três décadas, a possibilidade de Cuca assumir o comando reacende debates sobre ética, imagem institucional e responsabilidade social no futebol. Cabe à diretoria avaliar o cenário antes de tomar qualquer decisão oficial, enquanto a torcida segue deixando claro que não aceitará a contratação sem resistência.






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