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Rio de Janeiro,04/11/2026

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    “O Tapajós está em chamas. Cadê a senhora?”: população cobra posicionamento de Hana Ghassan sobre queimadas no oeste do Pará

    Moradores questionam ausência de manifestação da governadora, enquanto operação federal mobiliza 526 agentes para combater incêndios florestais; Pará registrou mais de 12 mil focos em outubro


    “O Tapajós está em chamas. Cadê a senhora?”: população cobra posicionamento de Hana Ghassan sobre queimadas no oeste do Pará Crédito: GP CAA / divulgação

    A população da região do Tapajós está cobrando um posicionamento da governadora Hana Ghassan (MDB) diante do avanço das queimadas no oeste do Pará. Nas redes sociais, perfis de Santarém questionam a ausência de manifestações públicas da chefe do Executivo estadual sobre a situação, que tem mobilizado equipes de combate a incêndios e provocado preocupação entre moradores.


    “Governadora, o Tapajós está em chamas. Cadê a senhora?”, publicou um dos perfis nas redes sociais. Embora tenha sido derrotada nas eleições, Hana Ghassan continua à frente do Governo do Pará até o fim do mandato e permanece responsável pela administração estadual.


    Enquanto a população cobra respostas, a força-tarefa federal da Operação Pará Oeste ampliou para 526 o número de agentes mobilizados no combate aos incêndios florestais. Coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a operação atua em unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos rurais.


    De acordo com o balanço divulgado pelo Posto de Comando Unificado, instalado em Santarém, o incêndio na comunidade Fortaleza, em Mojuí dos Campos, foi extinto. Já na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, brigadistas abriram 4,5 quilômetros de aceiros para impedir o avanço das chamas entre as comunidades de São Jorge e São Benedito.


    As equipes contam com 35 veículos terrestres e 11 aeronaves, sendo seis aviões agrícolas Air Tractor e cinco helicópteros. A frota aérea já acumulou mais de 263 horas de voo e despejou aproximadamente 459,3 mil litros de água sobre os focos de incêndio.


    A operação também recebeu o reforço de 43 brigadistas e 32 fiscais ambientais. O trabalho conta com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar do Pará (PMPA).


    Alerta para os próximos dias


    O cenário meteorológico preocupa as equipes. A previsão indica rajadas de vento superiores a 30 km/h, temperaturas entre 36 °C e 37 °C e umidade relativa do ar podendo chegar a 37%. As condições aumentam o risco de propagação das chamas, mantendo o perigo de novos incêndios entre alto e muito alto na Calha Norte e na região da calha do Rio Amazonas.


    Em Santarém, equipes de combate também permanecem mobilizadas na Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão. Após um incêndio que consumiu aproximadamente 58 hectares de vegetação nativa, bombeiros militares, brigadistas voluntários e indígenas da etnia Borari trabalham para extinguir novos focos e evitar que o fogo volte a se espalhar.


    Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a operação conta com aeronaves do governo federal e reúne órgãos públicos, organizações comunitárias e moradores.


    Pará registra pior cenário de queimadas em quase três décadas


    O estado enfrenta uma das temporadas mais graves de incêndios florestais de sua história recente. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará encerrou outubro com mais de 12 mil focos de incêndio, o maior número registrado para o mês em 29 anos.


    Além do combate às chamas, a Operação Pará Oeste também realiza ações de assistência humanitária, incluindo a distribuição de cestas de alimentos para famílias tradicionais afetadas pela estiagem na Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre.


    Em Santarém, apesar de uma melhora temporária na qualidade do ar, classificada como moderada, os índices de partículas finas de poluição continuam acima dos limites considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


    Enquanto as equipes seguem mobilizadas para conter os incêndios, moradores aguardam um posicionamento do Governo do Pará sobre as medidas estaduais para enfrentar a crise ambiental.




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