Padre critica privilégios e fala sobre quem não tem “jatinho para fugir” durante homilia em Aparecida
Sem citar nomes, Ferdinando Mancílio fez referência à fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e defendeu uma Igreja mais próxima dos pobres e das pessoas em situação de vulnerabilidade
Crédito: Tv Aparecida / Reuters/Eva Marie Uzcategui O padre Ferdinando Mancílio, prefeito do Santuário Nacional de Aparecida, fez críticas aos privilégios e à desigualdade social durante uma homilia realizada neste sábado (31), no Santuário, em Aparecida (SP). Sem citar nomes, o religioso fez uma referência à ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos e afirmou que a maioria da população não tem condições de simplesmente fugir quando deseja.
“Você não tem um jatinho à disposição para fugir para onde você quiser. Você tem que labutar para ter o pão na mesa de todo dia”, declarou o padre.
Durante a celebração, Mancílio também defendeu que a Igreja esteja mais próxima das pessoas em situação de vulnerabilidade, dos pobres e daqueles que sofrem. O religioso ainda ironizou as críticas que recebe por abordar frequentemente questões sociais e defender uma Igreja voltada aos mais necessitados.
“Ah, esse padre está voltando a falar de Igreja dos pobres, ele é um comunista. Obrigado, viu? Por sua conceituação para comigo, mas eu dispenso”, afirmou.
O padre também destacou que a fé cristã não pode estar distante da realidade social e das dificuldades enfrentadas pela população.
“O cristão que não quer abraçar a realidade que está em nossa volta, dos pobres, dos humildes, daqueles que têm a dignidade ferida, está longe do Evangelho”, disse.
Outras críticas políticas
Esta não é a primeira vez que Ferdinando Mancílio faz declarações com críticas a figuras e movimentos políticos durante celebrações no Santuário Nacional de Aparecida.
Em fevereiro, o religioso criticou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que, na ocasião, promovia uma caminhada em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Sem mencionar diretamente o parlamentar, afirmou que o ato era organizado por alguém que “nunca teve nenhum projeto a favor do povo”.
Mancílio também já criticou pessoas que se identificam como cristãs e defendem o uso de armas, além de fazer alertas sobre a utilização da religião como instrumento de poder político.
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