Águas do Pará vira exemplo do que acontece quando um serviço público é privatizado e população fica sem água
Concessionária acumula reclamações de consumidores em diferentes municípios; promessa do Governo do Pará era de melhorias no abastecimento após a concessão dos serviços
Crédito: divulgação A Águas do Pará está se tornando um exemplo de como a privatização de um serviço público não representa, necessariamente, uma solução imediata para os problemas da população. Neste fim de semana, a concessionária virou alvo de uma onda de críticas após moradores de Belém e de outros municípios paraenses denunciarem problemas no abastecimento de água.
Em Belém, a revolta ganhou força neste sábado (31), quando moradores de diversos bairros relataram estar há mais de 24 horas sem água nas torneiras. Mesmo após uma manutenção programada pela empresa, com previsão de conclusão às 5h da manhã, consumidores continuaram reclamando da falta de abastecimento.
A insatisfação ultrapassou as reclamações individuais. Nas redes sociais, o perfil oficial da Águas do Pará foi tomado por comentários negativos, com mais de 1.500 manifestações em uma publicação sobre os serviços da concessionária em municípios paraenses. Em vez de elogios, consumidores utilizaram o espaço para relatar problemas, cobrar explicações e demonstrar indignação.
A situação expõe uma contradição entre o discurso apresentado pelo Governo do Pará durante o processo de concessão e a realidade enfrentada por parte dos consumidores. A privatização foi defendida pela gestão atual como uma alternativa para ampliar investimentos, modernizar a infraestrutura e melhorar a qualidade dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
A concessão foi apresentada como um dos maiores projetos de saneamento da história da Amazônia Legal, com previsão de R$ 15,2 bilhões em investimentos nos 99 municípios inicialmente contemplados e metas de ampliação do acesso à água e ao esgoto.
Mas, enquanto os investimentos são anunciados e as metas são projetadas para os próximos anos, o consumidor precisa de respostas para um problema básico: abrir a torneira e ter água em casa.
É justamente nesse cenário que a comparação com a Cosanpa ganha força. A companhia estadual continua responsável pela produção e pelo tratamento da água em Belém, Ananindeua e Marituba, enquanto a Águas do Pará assumiu a distribuição e o atendimento aos consumidores. Ou seja, a população enfrenta uma nova estrutura de gestão, mas continua dependendo de um serviço que precisa funcionar.
A situação serve de exemplo para um debate importante: o que acontece quando um serviço público é concedido à iniciativa privada sob a promessa de melhorias, mas a população continua enfrentando problemas básicos?
O Governo do Pará, responsável pelo processo de concessão, e a ARCON, responsável pela fiscalização, também precisam acompanhar de perto a qualidade do serviço e cobrar o cumprimento das obrigações contratuais.
A Águas do Pará pode apresentar investimentos bilionários e metas para os próximos anos, mas nenhum projeto será suficiente para convencer o consumidor enquanto faltar água dentro de casa.
No fim das contas, a população não quer propaganda, promessa ou justificativa. Quer abrir a torneira e ter água.






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