Bad Bunny autoriza campanha de Lula a usar música sobre soberania em peça eleitoral
A versão de “Lo Que Le Pasó a Hawaii” foi adaptada para uma propaganda que aborda soberania nacional e faz críticas a Flávio Bolsonaro e à influência dos Estados Unidos
Crédito: divulgação / Ricardo Stuckert A campanha do presidente Lula (PT) divulgou uma nova peça eleitoral que utiliza uma versão adaptada de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, música do cantor porto-riquenho Bad Bunny. Segundo a campanha, a equipe do artista autorizou o uso da obra na comunicação eleitoral.
A faixa original integra o álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” e aborda temas como identidade cultural, território, gentrificação e os efeitos da influência norte-americana sobre Porto Rico. O próprio histórico de Bad Bunny inclui manifestações públicas relacionadas à cultura e à situação política da ilha.
Na versão utilizada pela campanha brasileira, a letra foi adaptada para tratar de questões relacionadas ao território e à soberania do Brasil. “Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí”, diz o trecho apresentado na propaganda.
Wagner Moura participa da peça
O vídeo começa com uma narração do ator Wagner Moura, que aborda a origem do sobrenome Silva e sua relação com a história brasileira.
“Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”, afirma o ator na abertura da peça.
Em seguida, a narração relaciona o sobrenome à população brasileira e dá lugar à versão adaptada da música de Bad Bunny.
Enquanto a canção é executada, o vídeo apresenta imagens relacionadas a manifestações políticas e à aproximação de setores do bolsonarismo com os Estados Unidos. A propaganda também faz referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial de 2026.
O material termina com uma declaração do presidente: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.
Soberania virou tema central da campanha
A escolha da música ocorre em um momento em que Lula tem utilizado o discurso de soberania nacional como um dos eixos de sua campanha. No pronunciamento de 7 de Setembro, o presidente já havia associado o tema à defesa dos recursos naturais e criticado possíveis interferências de potências estrangeiras. L
A relação entre a política brasileira, o governo de Donald Trump e a campanha de Flávio Bolsonaro também ganhou espaço no debate eleitoral. Em setembro, Flávio negou ter recebido ajuda do governo norte-americano após a divulgação de informações sobre exigências feitas pelos Estados Unidos durante as negociações envolvendo as tarifas aplicadas ao Brasil.
A propaganda de Lula, portanto, utiliza a adaptação da música de Bad Bunny para conectar a discussão sobre soberania brasileira aos conflitos políticos envolvendo os Estados Unidos e seus reflexos na eleição presidencial.
A música de Bad Bunny
“Lo Que Le Pasó a Hawaii” faz referência à história do Havaí como forma de construir uma reflexão sobre o futuro de Porto Rico. A composição aborda a perda de território, mudanças provocadas pela chegada de estrangeiros e o risco de enfraquecimento da identidade cultural porto-riquenha.
A canção ganhou ainda mais repercussão em 2026 após referências a Bad Bunny e à cultura de Porto Rico no Super Bowl LX. O artista também possui um histórico de críticas a políticas de Donald Trump e de defesa de questões relacionadas à identidade porto-riquenha.
Com a autorização informada pela campanha, a obra passou a integrar uma peça eleitoral brasileira que transporta a mensagem de identidade e soberania presente na música original para o contexto da disputa presidencial de 2026.
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