Bispos da Igreja Católica fazem apelos por voto consciente e defesa da democracia nas eleições de 2026
Religioso alertou contra pedidos de voto associados à fé, defendeu a preservação da Amazônia e afirmou que a Igreja Católica não tem partido, mas abraça causas ligadas ao Evangelho e aos mais pobres
Crédito: CNBB Bispos e representantes da Igreja Católica têm feito manifestações sobre as eleições de 2026, destacando a importância do voto consciente, da participação cidadã e da defesa da democracia. As falas também abordam temas como preservação da Amazônia, proteção de povos tradicionais, soberania nacional e combate ao uso da religião para direcionar votos.
Entre as manifestações está a do bispo emérito da Diocese de Lages (SC), Dom Guilherme Werlang. Em uma de suas falas, ele alertou os fiéis para o que chamou de “manipulação religiosa” durante o período eleitoral.
“Atenção à manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus. As igrejas não são currais eleitorais”, afirmou.
Dom Guilherme também defendeu que os eleitores considerem a preservação da Amazônia e a proteção dos territórios de povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais. “Nossas florestas, águas e povos não são mercadorias”, declarou.
Outro ponto destacado pelo religioso foi a soberania brasileira e a importância de acompanhar os representantes depois das eleições. Segundo ele, votar conscientemente é apenas uma parte do exercício da cidadania.
“A pessoa que vota consciente sabe que votar não é tudo. Acompanhar quem foi eleito é nossa responsabilidade”, afirmou.
Em outra manifestação recente, o arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes, também abordou as eleições durante uma Santa Missa no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. Ele pediu que os brasileiros escolham seus representantes de acordo com a própria consciência e pensando no bem comum.
“Nesse ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo nosso coração, segundo nossa consciência, segundo nosso conhecimento, pensando no bem de todos, pensando no bem comum”, disse.
Dom Orlando também falou sobre a soberania nacional durante uma reflexão relacionada à Independência do Brasil. “Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui”, afirmou.
As manifestações ocorrem em um contexto no qual dioceses também vêm produzindo materiais de orientação para o período eleitoral. A Diocese de São João da Boa Vista (SP), por exemplo, distribui as chamadas “Orientações Diocesanas 2026”, elaboradas pela Pastoral Fé e Política, com reflexões sobre democracia, participação cidadã e critérios que podem ser considerados pelos eleitores.
Apesar das diferentes abordagens, as manifestações citadas destacam a participação dos cidadãos no processo eleitoral e apresentam princípios ligados à atuação social da Igreja Católica, sem indicação de um partido específico nas falas mencionadas.
Em sua mensagem, Dom Guilherme resumiu a orientação aos eleitores com a frase: “O voto não tem preço, tem consequências”. Ao final, afirmou: “Nós não temos partido, mas temos uma causa, o Evangelho e os pobres. Vote pela democracia”.
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