Paciente internada há quase um mês sem UTI em Castanhal leva MPPA a pedir multa contra Estado e município
O Ministério Público do Pará acionou a Justiça após uma mulher internada desde abril no Hospital Municipal de Castanhal seguir sem acesso a leito de UTI especializado, mesmo com risco de morte apontado em laudo médico
Crédito: Portal Viggo O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) ajuizou uma ação com pedido de tutela de urgência para garantir a transferência imediata de uma paciente em estado grave para um leito de UTI especializado em gastroenterologia. A medida foi tomada pela 4ª Promotoria Cível de Defesa Comunitária e da Cidadania de Castanhal após a mulher permanecer internada sem acesso ao tratamento adequado.
Segundo o MPPA, a paciente está internada desde o dia 17 de abril de 2026 no Hospital Municipal de Castanhal e apresenta um quadro clínico considerado gravíssimo. Ela convive com HIV e cirrose hepática alcoólica e teve piora no estado de saúde, com dispneia intensa, hipoxemia, derrame pleural e sinais compatíveis com obstrução intestinal.
De acordo com o laudo médico anexado ao processo, a mulher corre risco de morte e necessita com urgência de transferência para uma UTI cirúrgica especializada. A paciente foi cadastrada na Central de Regulação em 18 de abril, mas, até o momento, não houve disponibilização de leito compatível com as necessidades clínicas dela.
A ação foi assinada pela promotora de Justiça Maria José Vieira de Carvalho Cunha, que atua na 4ª Promotoria Cível de Castanhal. O Ministério Público informou ainda que encaminhou ofícios ao Hospital Municipal de Castanhal, à Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), mas não obteve resposta dos órgãos citados.
Na ação judicial, o MPPA pede que o Estado do Pará e o Município de Castanhal realizem, no prazo máximo de 24 horas, a transferência da paciente para uma unidade hospitalar equipada com leito de UTI especializado. Caso não haja vaga na rede pública, o órgão solicita que a internação seja feita em hospital privado, inclusive fora do município ou do estado, com custeio integral pelo poder público.
O Ministério Público também solicitou aplicação de multa diária em caso de descumprimento da decisão judicial. Segundo o órgão, a demora no acesso ao tratamento coloca a vida da paciente em risco iminente.
Na ação, o MPPA reforçou que o direito à saúde é garantido pela Constituição Federal e destacou que os entes públicos têm obrigação de assegurar atendimento integral, especialmente em situações de urgência e risco de morte.





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