Professora é mandada “calar a boca” em reunião da UFRA e caso gera revolta na comunidade acadêmica
Episódio envolvendo assessor da reitoria gerou forte repercussão na comunidade universitária
Crédito: Ufra A terceira reunião extraordinária do Conselho Universitário da Universidade Federal Rural da Amazônia, realizada na última terça-feira (12), foi marcada por tensão, acusações de machismo e forte repercussão dentro da comunidade acadêmica. Durante a sessão, o assessor da reitoria da universidade, Mário Ribeiro, mandou uma professora “calar a boca” durante uma discussão no colegiado, provocando indignação entre docentes, estudantes e entidades representativas.
Após o episódio, a Associação de Pós-Graduandos da UFRA divulgou uma nota pública de repúdio classificando a atitude como “machista, autoritária e violenta”. No texto, a entidade afirma que a fala “ultrapassa os limites do debate político e representa uma agressão à dignidade das mulheres que constroem diariamente esta universidade”.
A associação também destacou que episódios como esse não podem ser naturalizados dentro do ambiente universitário, especialmente em espaços institucionais de decisão. “É inadmissível que, em pleno ambiente universitário, manifestações dessa natureza sejam tratadas como algo normal ou aceitável”, diz trecho da nota.
A entidade ainda lembrou que a UFRA atualmente possui uma mulher à frente da reitoria e reforçou que o combate à violência de gênero deve ir além de ações simbólicas. O posicionamento cita, inclusive, a instalação recente do Banco Vermelho no campus da universidade, símbolo internacional de enfrentamento à violência contra a mulher, cobrando medidas concretas de responsabilização diante do caso.
Segundo a associação, o episódio também dialoga com a realidade enfrentada por mulheres na ciência e na pós-graduação brasileira. A nota ressalta que, embora as mulheres sejam maioria nos programas de mestrado e doutorado do país, ainda convivem com assédios, violência simbólica e processos de silenciamento dentro das instituições acadêmicas.
A repercussão do caso também chegou ao meio político. A deputada federal Renilce Nicodemos publicou uma manifestação de solidariedade à professora e repudiou o ocorrido.
“Não podemos aceitar que tentem calar a voz das mulheres. Estou indignada com a violência cometida contra uma professora durante reunião do Conselho Universitário da Universidade Federal Rural da Amazônia, ao ser interrompida aos gritos de ‘cale a boca!’”, declarou a parlamentar.
Renilce também afirmou que violência contra a mulher é “inadmissível, ainda mais dentro de uma universidade, espaço de diálogo e democracia”.
Até o momento, a UFRA não se pronunciou oficialmente sobre possíveis medidas relacionadas ao episódio. A comunidade acadêmica cobra providências e pede que situações semelhantes não sejam normalizadas dentro da instituição.
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