Não era engano, era racismo
Crédito: Reprodução Na tarde desta quarta-feira (5), eu, Matheus Viggo, vivi uma situação constrangedora no Boulevard Shopping. Ao me dirigir ao balcão do programa de benefícios do shopping, do qual sou participante, para retirar um voucher, fui recebido com uma pergunta direta da atendente: se eu estava com meu documento de identidade. Informei que não estava, mas que estava devidamente logado no aplicativo oficial do Boulevard.
Enquanto verificava o sistema, a atendente afirmou que eu “não estava cadastrado”. Ao questionar a informação, ela voltou a insistir se eu estava com a identidade. Em seguida, sem qualquer questionamento prévio ou cuidado, olhou para mim e perguntou: “Você não é funcionário?”
A pergunta, feita em voz alta e na frente de outros clientes, me expôs a um constrangimento desnecessário. Respondi apenas que não, que era cliente. A atendente pediu desculpas, mas o episódio já estava consumado.
Em nenhum momento fui perguntado se eu era cliente ou funcionário. A suposição foi automática. E não é uma suposição neutra.
O racismo se manifesta, muitas vezes, de forma silenciosa e cotidiana. Confundir pessoas negras com prestadores de serviço, funcionários, entregadores ou pedintes dentro de ambientes comerciais, especialmente em espaços associados ao consumo, lazer e status, é uma expressão clara do racismo estrutural e institucional. Trata-se de uma prática que nega à pessoa negra o direito básico de ser vista como consumidora, como alguém que pertence àquele espaço.
Não se trata de um erro individual isolado, mas de uma lógica social que ainda associa pessoas negras a papéis impostos pela desigualdade racial. Situações como essa não podem ser naturalizadas nem relativizadas como “mal-entendido”.
Como jornalista e dono deste portal, faço questão de registrar este episódio não apenas como um relato pessoal, mas como um posicionamento público. É preciso que empresas, shoppings e instituições invistam seriamente em formação antirracista, acolhimento e respeito à diversidade de seus clientes.
Ser cliente não deveria precisar ser explicado. Muito menos provado.









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