“É impossível ser cristão e defender armas”, diz padre ao criticar marcha para Brasília
Durante homilia em Aparecida, sacerdote afirmou que ato político não defende a vida e acusou líderes de buscarem poder
Crédito: Reprodução Prefeito da Igreja do Santuário Nacional de Aparecida, o padre Ferdinando Mancílio criticou publicamente a marcha realizada pelo deputado Nikolas Ferreira em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
A manifestação organizada pelo parlamentar ocorreu em Brasília e terminou sob forte chuva, resultando em 89 pessoas feridas após descargas elétricas provocadas por raios.
Durante homilia celebrada no Santuário Nacional, em Aparecida (SP), o sacerdote fez duras críticas ao caráter do ato político. “Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília, alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo, e dizer que está defendendo a vida. Mentira. Quer o poder. Acho que você entende o que eu estou dizendo”, afirmou Mancílio diante dos fiéis.
Em seguida, o padre relatou uma conversa que teve com um visitante do santuário para exemplificar o que chamou de contradições no discurso cristão associado à defesa de armas.
“Para onde eu quero ir? A favor da vida ou a favor da morte? Padre, eu sou cristão, me disse uma pessoa aqui no santuário. Mas eu sou a favor das armas. Não tem jeito. É impossível”, contou. Mancílio rebateu dizendo que “a arma só tem uma finalidade: ferir e matar”.
Segundo o sacerdote, o fiel ainda tentou justificar a posição ao afirmar que “o machado também mata”. “E eu lhe respondi: ‘Mas a finalidade do machado é outra’. De que lado nós estamos?”, concluiu.
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