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Belém,03/04/2026

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Fantástico revela esquema de extorsão no Pará; Noelle Araújo diz ter pago R$ 500 mil

Investigação exibida pelo Fantástico aponta cobranças ilegais, uso de inquéritos para extorsão e relato de pagamento milionário no sistema de justiça do Pará


Fantástico revela esquema de extorsão no Pará; Noelle Araújo diz ter pago R$ 500 mil Crédito: TV Globo

Imagens de uma câmera de segurança registram o momento em que um homem é atropelado enquanto se exercitava em uma ciclofaixa, no fim da madrugada, em Belém (PA). A vítima sobrevive, o motorista é identificado e o caso, à primeira vista um acidente de trânsito, ganha repercussão. A partir desse episódio, no entanto, a investigação avança e passa a revelar algo muito maior: suspeitas de corrupção envolvendo integrantes da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário paraense.


A história é o ponto de partida de uma reportagem exibida pelo Fantástico, que expõe um suposto esquema de extorsão investigado pelo Ministério Público do Pará. Segundo a apuração, o grupo atuaria desde 2021, montando uma espécie de “justiça paralela”, na qual suspeitos eram cobrados para obter decisões ou encaminhamentos favoráveis em inquéritos e processos.


No caso do atropelamento, uma parente do motorista reconhece o delegado responsável pelo inquérito ao vê-lo na televisão. Ela envia um áudio ao delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho, afirmando que o criou e que trabalhou com a mãe dele. No mesmo contato, relata que policiais estariam pedindo dinheiro para “aliviar” a situação do atropelador.


“Acho que foi tu que pediu um valor muito alto para eles pagarem. Parece que R$ 25 mil”, diz a mulher em um dos áudios.


Em gravações reunidas pela investigação, o delegado nega à parente que esteja extorquindo alguém. No entanto, em conversas privadas atribuídas a ele, surgem menções explícitas a valores e cobranças. Em um dos áudios, Arthur Nobre afirma: “Quem paga mal paga duas vezes”. Em outro, diz que não pretende se “queimar” por valores baixos.


“Nunca pense que vou me queimar por R$ 10, R$ 20, R$ 30 mil, tá bom? (…) De homem para homem. De delegado para delegado”, diz o áudio atribuído ao policial.


O Ministério Público aponta que Arthur Nobre mantinha trocas de mensagens com seu superior imediato à época, Carlos Daniel Fernandes de Castro. Em uma conversa, o então diretor escreve: “Imagina se tivesse ficado muito tempo” no Denarc. O delegado responde que, se tivesse permanecido na unidade, “a gente teria apreendido droga” e ambos estariam “ricos”.


Ainda segundo a investigação, a transferência do delegado para outra delegacia, em agosto de 2023, foi tratada internamente como oportunidade de arrecadação. Em áudio, um escrivão afirma que o novo local seria “o lugar certo pra gente”, onde daria para “ficar bem, sem bronca”. Em outra mensagem, o diretor responde de forma irônica: “Cansado, mas a fim de roubar alguém, né?”.


A apuração também alcança membros do Ministério Público. Um dos citados é o promotor Luiz Márcio Teixeira Cypriano, da 2ª Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial. De acordo com o material reunido, haveria conversas para definir alvos e combinar a entrega de dinheiro. Em janeiro de 2024, o delegado escreve: “Vou levar mais 3 hoje pro senhor”, valor que, segundo os investigadores, corresponde a R$ 3 mil em espécie.


O Ministério Público sustenta que o caso do atropelamento ilustra o funcionamento do esquema. Primeiro, o delegado envia ao promotor o vídeo do acidente. Em seguida, o promotor solicita oficialmente a abertura de inquérito, dando aparência de legalidade a um caso que teria ocorrido fora da jurisdição do policial. A partir daí, Arthur Nobre assume a investigação e, conforme a apuração, passa a cobrar os R$ 25 mil.


As suspeitas avançam também sobre o Judiciário. O Tribunal de Justiça do Pará investiga a atuação do juiz Jackson José Sodré Ferraz. Entre os episódios citados está a operação “Truque de Mestre”, deflagrada em 2023 contra influenciadores suspeitos de promover jogos de azar. Segundo a investigação, durante um plantão, o magistrado autorizou buscas e prisões temporárias a pedido do delegado Arthur Nobre, com parecer favorável do promotor Luiz Márcio.


Uma das presas na operação, a influenciadora Noelle Araújo, afirma em entrevista que pagou R$ 500 mil para tentar resolver sua situação.


“O advogado me cobrou para tentar resolver a nossa vida. De que forma? Não me interessa”, declarou.


A investigação indica ainda que um dos suspeitos de intermediar repasses seria Caio Ferraz, filho do magistrado.


Situação dos investigados

O delegado Arthur Nobre foi afastado do cargo, mas continua recebendo salário de cerca de R$ 28 mil. Ele já foi preso três vezes, é réu e responde em liberdade. Sua defesa informou que irá se manifestar nos autos;

O promotor Luiz Márcio Cypriano também foi afastado e segue recebendo salário de aproximadamente R$ 68 mil. A defesa declarou que, por ora, opta pelo silêncio;

Carlos Daniel Fernandes de Castro foi afastado de suas funções. A defesa afirmou que está em fase de análise criteriosa e aprofundada do processo e que atuará conforme os parâmetros legais e constitucionais.


O caso segue sob investigação e levanta questionamentos sobre a atuação e os mecanismos de controle das instituições responsáveis por zelar pela legalidade e pela justiça no Pará.


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