PT se distancia de Eduardo Paes e ignora campanha por segundo turno no Rio
Enquanto o ex-prefeito mobiliza um canal com 263 mil seguidores para pressionar o STF, lideranças petistas priorizam a comemoração da vitória de Lula e praticamente ignoram a possibilidade de uma nova eleição no estado
Crédito: acervo pessoal O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), tem intensificado a mobilização nas redes sociais para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a reconhecer a necessidade de um segundo turno na disputa pelo governo do estado. Apesar da ofensiva digital, Paes enfrenta dificuldades para conseguir o apoio de lideranças do PT, que praticamente ignoram a possibilidade de uma nova votação, segundo informações do jornalista Thiago Prado, do O Globo.
Na última quarta-feira (4), o canal de WhatsApp “Exército do Dudu”, inspirado no movimento digital criado pelo deputado André Janones em apoio ao presidente Lula, lançou uma missão para seus 263 mil seguidores: impulsionar a hashtag #49NÃOé50, em referência ao percentual de votos válidos obtido por Douglas Ruas (PL) na eleição.
A mobilização surtiu efeito rapidamente. Em pouco mais de uma hora, a expressão chegou aos assuntos mais comentados do X, antigo Twitter. Os administradores do canal comemoraram o resultado com mensagens como “Vamos para o topo” e “Senta o dedoooo”, além de uma figurinha de Paes acompanhada do bordão “Explode”, popularizado por Janones.
A estratégia faz parte da tentativa de Paes de fortalecer, no ambiente digital, a tese apresentada pelo PSD ao STF de que o Rio deveria realizar um segundo turno.
Na eleição de 3 de outubro, Douglas Ruas registrou inicialmente 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes. Entretanto, após a anulação dos 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos), que teve a candidatura considerada inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o novo cálculo elevou o percentual de Ruas para 50,88%, enquanto Paes passou a contabilizar 44,16%. Ruas foi declarado vencedor.
PT não demonstra empenho na nova disputa
Enquanto Paes tenta ampliar a pressão sobre o STF, o PT nacional e fluminense praticamente não tem demonstrado mobilização em defesa de uma nova eleição. Desde o encerramento do segundo turno, lideranças como Lindbergh Farias, Marcelo Freixo e Benedita da Silva utilizaram suas redes sociais principalmente para comemorar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro.
Uma das poucas exceções foi Washington Quaquá, que saiu em defesa de uma nova disputa no estado em meio à sua disputa política com Edinho Silva, presidente nacional do PT.
Outro indicativo da falta de mobilização petista é a movimentação de André Ceciliano para voltar à presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 2027. Nas conversas com parlamentares para construir sua candidatura, o cenário de um eventual segundo turno não aparece como parte das articulações.
Ceciliano tem trabalhado para atrair aliados com o argumento de que entregar o comando da Alerj ao deputado Anderson Moraes, nome preferido de Ruas, significaria ampliar excessivamente o poder do PL de Altineu Côrtes no estado.
Nos bastidores, integrantes do PT também têm enviado recados a Paes, afirmando que Lula estaria incomodado com a pouca participação do ex-prefeito na campanha presidencial no Rio, apesar das diversas agendas conjuntas realizadas entre agosto e setembro.
Kassab tenta manter aproximação com Lula
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, por sua vez, trabalha para preservar o diálogo entre o partido, o Palácio do Planalto e Eduardo Paes.
Kassab tem sinalizado disposição de colocar o PSD na base de um eventual quarto governo Lula e chegou a mencionar publicamente a possibilidade de Paes ocupar um dos ministérios destinados ao partido, que atualmente comanda três pastas: Agricultura, Minas e Energia e Pesca.
Douglas Ruas intensifica articulação no STF
Do outro lado da disputa, Douglas Ruas e seus aliados passaram a acompanhar com mais atenção a movimentação judicial. Durante o segundo turno, o grupo minimizava a possibilidade de uma decisão desfavorável no STF, em um cenário no qual acreditava na vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
Com a mudança no cenário político, Ruas intensificou as articulações e chegou a ter uma audiência recente com o ministro Cristiano Zanin, responsável pelo processo no Supremo.
Governo ainda tem indefinições
Enquanto a disputa judicial não chega a uma definição, Douglas Ruas também enfrenta dificuldades para fechar os nomes que ocuparão duas das principais secretarias de sua futura administração: Fazenda e Segurança.
Entre os nomes que chegaram a ser especulados, dois já são considerados fora de cogitação. O deputado federal eleito e ex-chefe da Polícia Civil Felipe Curi (PP), cotado para comandar a Segurança, não deve assumir a função. Já a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, mencionada para a Secretaria de Fazenda, também está descartada.
As informações são do jornalista Thiago Prado, do jornal O Globo.






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