“O Lula vai ajudar você”: atendente que votou em Lula denuncia dispensa do Bodega Bar, em Belém, após eleição
Mãe solo de três filhos afirma que perdeu o trabalho após o resultado das eleições. Empresário relacionou a dispensa à vitória do petista
Crédito: divulgação / Alma Preta Uma atendente que trabalhava como freelancer no Bodega Bar, localizado na avenida Conselheiro Furtado, no bairro da Cremação, em Belém (PA), afirma ter sido dispensada após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). O caso foi revelado pelo site Alma Preta, em reportagem do jornalista Fernando Assunção publicada na quarta-feira (28).
A trabalhadora, que teve a identidade preservada, é mãe solo de três filhos, sendo um deles uma criança que necessita de acompanhamento. Segundo o relato, ela prestava serviços no Bodega Bar havia cerca de três meses, principalmente no turno da noite, horário que permitia conciliar o trabalho com os cuidados familiares. A renda era utilizada para sustentar os filhos.
“O Lula vai ajudar você”
De acordo com a reportagem do Alma Preta, o proprietário do Bodega Bar já havia questionado anteriormente a atendente sobre seu posicionamento político. Ela afirmou que tendia à esquerda em razão de suas experiências de vida e ressaltou que suas opiniões não interferiam no desempenho profissional.
Na terça-feira (27), após o resultado das eleições, a trabalhadora entrou em contato com o empresário para saber se deveria comparecer ao estabelecimento. Segundo seu relato, recebeu a seguinte resposta: “Não, o Lula vai ajudar você. Ele não gosta de micro empresário”.

Em áudios obtidos pelo Alma Preta, o proprietário argumenta que medidas do governo poderiam prejudicar pequenos empresários e afirma que a necessidade de reduzir custos teria consequências sobre os postos de trabalho.
Ainda conforme a publicação, o empresário também teria feito manifestações nas redes sociais contra eleitores de esquerda e declarado que não contrataria mais pessoas com esse posicionamento político.
A atendente afirma que a decisão não estaria relacionada à qualidade de seu trabalho. Segundo ela, recebia elogios do proprietário e era frequentemente convocada para prestar serviços no estabelecimento. Ela também sustenta que só revelou sua preferência política após ser questionada pelo empresário.
Caso pode ser analisado pela Justiça do Trabalho
A situação pode levantar questionamentos sobre discriminação por posicionamento político e possível assédio eleitoral nas relações de trabalho. A legislação brasileira protege a liberdade de consciência e de convicção política, e a Justiça do Trabalho pode analisar as circunstâncias da dispensa e as evidências apresentadas pelas partes.
O enquadramento jurídico depende da apuração dos fatos e da análise das provas. A eventual caracterização de dispensa discriminatória ou assédio eleitoral não é automática e deve ser avaliada pelas autoridades competentes.






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