Tenente da reserva da PM arranca bandeira de apoio a Lula e ameaça casal com arma em Porto Alegre
Tenente da reserva da PM engatilhou arma contra duas mulheres após retirar bandeira de apoio a Lula da janela de um apartamento em Porto Alegre; Polícia Civil investiga o caso
Crédito: divulgação Um tenente da reserva da Polícia Militar arrancou uma bandeira de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da janela do apartamento de um casal e ameaçou as moradoras com uma arma de fogo, na noite desta sexta-feira (23), em um edifício residencial no Centro Histórico de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O caso aconteceu durante o debate presidencial.
Segundo o relato das vítimas, o policial, que é vizinho do andar de baixo, puxou a bandeira para dentro do próprio apartamento enquanto as duas mulheres balançavam o objeto na janela. Após perceberem o que havia acontecido, elas decidiram ir até o imóvel do vizinho para recuperar a bandeira.
No momento em que uma das mulheres tocou o interfone, o tenente abriu a porta e engatilhou uma arma de fogo. Assustadas, as duas desceram as escadas do prédio correndo e acionaram a polícia.
Policial não foi levado à delegacia
Um vídeo gravado após o episódio mostra as duas mulheres conversando com um policial da Brigada Militar. Durante a conversa, o agente questiona se já havia ocorrido algum atrito anterior entre os envolvidos.
“Em outras vezes houve outros atritos? Foi um fato isolado, né? Foi a primeira vez”, diz o policial às vítimas.
O tenente da reserva foi ouvido por colegas policiais dentro do próprio apartamento e não foi conduzido à delegacia. Segundo o relato das vítimas, mesmo após os advogados explicarem por cerca de dez minutos que as mulheres se sentiam ameaçadas, eles foram informados de que não havia necessidade de levar o suspeito à unidade policial.
“A arma dele está no nome dele. Está tudo certo”, afirmou um dos policiais durante o atendimento.
Em outro trecho, o agente menciona a possibilidade de as vítimas procurarem posteriormente a Delegacia da Mulher e afirma que o caso não se enquadraria no contexto da Lei Maria da Penha, já que os envolvidos não se conheciam.
“Deixa que o Judiciário resolva. Se daqui a senhora quiser ir lá na Delegacia da Mulher e quiser fazer o registro”, disse o policial militar ao explicar a decisão de não conduzir o suspeito à delegacia.
Casal deixou o apartamento após o episódio
Segundo testemunhas, a bandeira foi jogada pela janela após a ameaça. O tenente da reserva permaneceu com a arma, enquanto as duas mulheres decidiram passar a noite na casa de parentes por medo de permanecer no imóvel.
O casal havia se mudado para o apartamento há cerca de quatro meses. Após o episódio, as vítimas passaram a considerar a possibilidade de deixar o local por receio de novos conflitos com o vizinho.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou que o episódio é investigado pela Delegacia da Mulher de Porto Alegre.
A investigação deverá apurar as circunstâncias da ocorrência, incluindo a retirada da bandeira, a ameaça com arma de fogo e a atuação policial após o acionamento das autoridades.
Até o momento, não há informação sobre eventual apreensão da arma ou medidas adotadas contra o tenente da reserva. O caso segue sob investigação.
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