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Rio de Janeiro,14/10/2026

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    Morte de Netinho emociona fã de Belém que acompanhou mais de 30 anos de sua trajetória: “Ele simbolizou amizade e recomeço”

    Luana, de 43 anos, tornou-se fã de Netinho ainda na infância e guarda lembranças que vão dos encontros com o cantor às amizades construídas por meio da música


    Morte de Netinho emociona fã de Belém que acompanhou mais de 30 anos de sua trajetória: “Ele simbolizou amizade e recomeço” Crédito: acervo pessoal

    Intérprete de sucessos como Milla e Beijo na Boca, artista morreu aos 60 anos, em Salvador, na terça-feira (13). Em Belém, a história de uma admiradora revela como a relação com o ídolo ultrapassou os palcos e se transformou em parte de sua própria história de vida.A morte do cantor Netinho, um dos nomes marcantes da história do axé music brasileiro, encerrou uma trajetória artística que atravessou gerações, mas deixou vivas as lembranças de quem encontrou na sua música muito mais do que entretenimento. Em Belém, a história de Luana, de 43 anos, traduz a dimensão desse vínculo. Fã do artista desde os 10 anos de idade, ela acompanhou mais de três décadas de sua carreira e construiu, por meio dessa admiração, amizades, experiências e memórias que seguem fazendo parte de sua vida.


    Segundo informações divulgadas pela assessoria, a doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos. A notícia provocou manifestações de pesar entre fãs, artistas e admiradores que acompanharam sua trajetória ao longo de décadas.


    Da Bahia para o Brasil: o início de uma trajetória marcante




    Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho começou a se aproximar da música ainda na adolescência. Aos 14 anos, ganhou um violão da mãe e desenvolveu seu interesse pelo instrumento. Mais tarde, conciliou os estudos com apresentações musicais até decidir investir profissionalmente na carreira artística.


    O grande impulso veio no final da década de 1980, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. Em 1988, ganhou projeção com a música Beijo na Boca, que ajudou a levar o nome do grupo para além da Bahia. O cantor se tornou uma das figuras associadas à expansão nacional do axé music, gênero que conquistou o público brasileiro com a energia dos trios elétricos, dos carnavais e das micaretas.


    Em 1990, ainda à frente da Banda Beijo, Netinho participou de uma iniciativa que marcou sua trajetória: levou um trio elétrico brasileiro à Itália durante a Copa do Mundo, aproximando a sonoridade do Carnaval baiano de torcedores que acompanhavam a competição. A experiência reforçou a dimensão de um movimento musical que começava a ultrapassar as fronteiras brasileiras.


    Em 1993, iniciou sua carreira solo. Vieram canções como Capricho dos Deuses, Total e Menina, esta última incluída na trilha sonora da novela Tropicaliente. O repertório romântico, aliado à energia característica do axé, ajudou a consolidar sua identidade artística.


    O grande fenômeno nacional, porém, chegaria em 1996, com Milla, lançada no álbum Netinho Ao Vivo. A música se transformou em um dos maiores sucessos de sua carreira e em um clássico do Carnaval brasileiro. Beijo na Boca, Prefixo de Verão, Fim de Semana, Preciso de Você e Estrela Primeira também passaram a integrar a memória afetiva de diferentes gerações.


    Para Luana, entretanto, a história com Netinho começou antes de boa parte desses momentos de consagração nacional.


    Uma fã desde os 10 anos de idade




    Hoje com 43 anos, Luana conta que se tornou fã de Netinho aos 10 anos. Desde então, acompanhou a carreira do cantor por mais de 30 anos, desenvolvendo uma admiração que, segundo ela, foi muito além da música.


    O artista passou a representar o próprio significado da palavra fã. Ao recordar essa relação, Luana explica que foi por meio dele que compreendeu a dimensão do carinho, da admiração e da conexão entre um artista e seu público.


    Para ela, Netinho era um multiartista cuja importância não poderia ser reduzida aos sucessos que gravou. A presença dele na música brasileira também se relacionava à maneira como conseguia criar vínculos com quem acompanhava seu trabalho.


    Por isso, falar sobre a morte do cantor se tornou uma tarefa difícil. São mais de três décadas de história, marcadas por diferentes fases da vida, encontros e lembranças que não se encerram com a despedida.


    “Nada Como Viver”: uma frase que ganhou significado




    A história de Netinho também foi marcada por graves problemas de saúde. Em 2013, o cantor passou por uma internação que evoluiu para um período crítico, com três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), cirurgias cerebrais e dificuldades que afetaram sua fala e seu canto. O artista ficou afastado dos palcos por anos e, em dezembro de 2017, começou a retomar publicamente sua trajetória musical.


    A recuperação ganhou um significado especial para seus admiradores. Segundo Luana, quando Netinho retornou após a primeira fase de adoecimento, costumava se considerar um milagre vivo.




    Foi nesse contexto que o cantor fez a tatuagem com a frase Nada Como Viver. Para ele, a expressão representava o valor da vida depois de enfrentar uma situação tão delicada. Para os fãs, a frase também passou a carregar esse significado, associado à recuperação, à esperança e à importância de continuar vivendo.


    Luana decidiu eternizar a mensagem na própria pele. Ela fez a tatuagem ao lado de Thais, uma de suas melhores amigas, que conheceu justamente por meio de Netinho.


    A escolha transformou uma experiência ligada à trajetória do artista em uma lembrança pessoal e compartilhada. A tatuagem passou a representar não apenas a admiração pelo cantor, mas também a amizade construída durante anos em torno dessa paixão em comum.


    O encontro em Belém que se tornou inesquecível




    Entre as recordações mais especiais de Luana está uma experiência vivida em Belém, quando Netinho veio à capital para lançar o DVD A Caixa Mágica, gravado em Aracaju.


    Na ocasião, ela e outras fãs foram ao aeroporto para recepcionar o cantor. O que parecia ser mais um encontro entre admiradoras e ídolo acabou se transformando em uma lembrança que atravessaria os anos.


    Segundo o relato de Luana, Netinho manifestou o desejo de assistir ao DVD com elas. O cantor se referiu àquelas admiradoras como fãs próximas e íntimas e quis compartilhar com o grupo o momento de assistir ao trabalho pela primeira vez.


    Assim, as fãs tiveram a oportunidade de acompanhar o lançamento ao lado do próprio artista, em uma experiência que ultrapassou a dinâmica habitual de um encontro em aeroporto ou de uma fotografia com um ídolo.


    Para Luana, o episódio permanece como uma das demonstrações mais significativas da proximidade que sentia com Netinho. Não era apenas a oportunidade de estar diante de alguém que admirava havia tantos anos, mas a possibilidade de compartilhar com ele um momento importante de sua carreira.


    A lembrança ajuda a compreender por que a despedida é tão dolorosa. Algumas relações entre artistas e fãs são construídas à distância, por meio de discos, apresentações e imagens. Outras acabam ganhando capítulos presenciais que se tornam parte da história pessoal de quem viveu esses encontros.


    As amizades que nasceram por causa do cantor




    Se a música foi o ponto de partida, as amizades se tornaram uma das maiores heranças dessa relação para Luana.


    Ao falar sobre sua história com Netinho, ela destaca que o cantor lhe proporcionou o encontro com algumas das pessoas mais importantes de sua vida. São vínculos que nasceram da admiração compartilhada, mas que permaneceram mesmo quando os encontros com o artista não estavam acontecendo.


    Em 2017, quando se casou, Luana viu essas amizades ocuparem um lugar especial em sua celebração. Todas as pessoas que conheceu por meio de Netinho e que se tornaram importantes em sua trajetória estiveram presentes no casamento.


    A lembrança revela uma dimensão particular da relação entre fãs e artistas. Uma canção pode aproximar pessoas que nunca teriam se conhecido de outra maneira. Um encontro pode se transformar em amizade. E uma admiração que começa na infância pode acompanhar diferentes fases da vida adulta.


    Para Luana, Netinho simbolizou amizade e recomeço. A frase resume a importância do cantor para além de sua discografia e dos palcos: ele também esteve ligado à formação de uma rede de afetos que se estendeu por décadas.


    O retorno da doença e a última despedida


    Em março de 2025, Netinho revelou que havia sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin do tipo B, um câncer do sistema linfático. O cantor passou por tratamento e chegou a anunciar a remissão da doença em outubro daquele ano.


    A melhora, no entanto, não representou o fim da luta. Em maio de 2026, o artista informou que o câncer havia retornado, dando início a uma nova etapa de tratamento. Nos meses seguintes, voltou a enfrentar dificuldades de saúde e permaneceu internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, desde o final de setembro.


    A notícia de sua morte foi divulgada na manhã de 13 de outubro. Aos 60 anos, Netinho partiu após complicações relacionadas à doença, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. Conforme informado por sua assessoria, o velório e a cremação seriam realizados de forma reservada, atendendo ao desejo do cantor de manter a despedida restrita aos familiares e amigos próximos.


    A partida encerra uma trajetória marcada por grandes sucessos, apresentações que ajudaram a popularizar o axé music e uma relação intensa com o público. Mas, para quem acompanhou o artista desde a infância, a despedida também traz à tona tudo aquilo que não cabe em uma retrospectiva musical.


    Uma história que continua nas lembranças



    Ao tentar resumir o que Netinho representou em sua vida, Luana volta aos sentimentos que acompanharam sua admiração durante mais de 30 anos. A gratidão aparece como uma das marcas mais fortes de seu depoimento.


    Ela agradece por tudo o que o cantor lhe proporcionou e pela felicidade que viveu durante um longo período de sua vida. Não se trata apenas de recordar as músicas ou os encontros, mas de reconhecer a presença de um artista em experiências que ajudaram a construir quem ela é hoje.


    A história de Luana mostra que a dimensão de um ídolo nem sempre pode ser medida apenas pelo número de discos vendidos, pela quantidade de shows ou pelo alcance de seus maiores sucessos. Às vezes, ela está nas amizades que permanecem, nas lembranças de um encontro em Belém, em uma tatuagem que simboliza a esperança e nas pessoas que compartilham a mesma saudade.




    Aos 43 anos, Luana se despede do artista que conheceu ainda menina e que acompanhou por mais de três décadas. Fica a memória de uma trajetória que atravessou diferentes fases de sua vida e a certeza de que o vínculo construído por meio da música não desaparece com a morte.


    Em suas palavras, Netinho simbolizou amizade, recomeço e gratidão. Agora, diante da despedida, permanece o amor de uma fã que encontrou na música muito mais do que um ídolo: encontrou pessoas, viveu momentos inesquecíveis e construiu parte de sua própria história.


    A voz de Netinho se cala, mas as canções e as memórias que ajudou a construir continuam presentes na vida de quem foi feliz ao som de sua música.




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