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Rio de Janeiro,20/09/2026

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    Entenda a história do Banco Master e por que o caso voltou a repercutir nas redes sociais

    Caso envolve a trajetória do Banco Master, operações com recursos públicos e investigações sobre relações entre Daniel Vorcaro e autoridades; entenda o que já foi documentado e o que ainda é apurado


    Entenda a história do Banco Master e por que o caso voltou a repercutir nas redes sociais Crédito: divulgação

    Um vídeo com uma longa explicação sobre o caso Banco Master e as relações políticas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou repercussão nas redes sociais. A publicação resgata a trajetória do banco, a autorização para Vorcaro assumir o controle da instituição, operações envolvendo recursos públicos e as recentes investigações sobre possíveis relações entre o empresário e autoridades do Judiciário.


    Uma das principais afirmações do vídeo é a de que Vorcaro teria conseguido se tornar banqueiro durante o governo de Jair Bolsonaro, depois de ter tido um pedido negado durante a gestão de Michel Temer. Há, de fato, registros de que o então Banco Central, presidido por Ilan Goldfajn, analisou um pedido apresentado por Vorcaro em 2017 para assumir o controle do então Banco Máxima. O pedido foi indeferido em fevereiro de 2019, antes do fim da gestão de Goldfajn. Documentos citados em investigações apontam que a decisão considerou, entre outros pontos, dúvidas sobre a origem dos recursos e a capacidade econômico-financeira para assumir o controle da instituição.


    Poucos meses depois, já durante o governo Bolsonaro, o Banco Central era comandado por Roberto Campos Neto. Em outubro de 2019, Vorcaro recebeu autorização para assumir o controle do Banco Máxima. Posteriormente, a instituição passou a se chamar Banco Master. Registros oficiais e documentos apresentados no Congresso confirmam a autorização durante a gestão de Campos Neto.


    Isso, porém, não significa que esteja comprovado que a autorização tenha ocorrido por motivação política ou que Campos Neto tenha praticado crime. O que existe são registros administrativos da autorização e, posteriormente, questionamentos sobre a atuação do Banco Central durante o período em que o Master cresceu.


    O Banco Master continuou funcionando nos anos seguintes e acabou sendo alvo de medidas do Banco Central. Em novembro de 2025, a autoridade monetária determinou a liquidação da instituição, citando violações de normas do Sistema Financeiro Nacional e comprometimento de sua situação econômico-financeira.


    Recursos públicos e governos estaduais


    Outro ponto que voltou ao debate é a participação de governos e entidades públicas em operações relacionadas ao Master.


    Levantamentos citados pelo colunista Celso Rocha de Barros apontam que 18 entes federativos, três estados e 15 municípios, tinham colocado recursos em operações relacionadas ao banco. Segundo esse levantamento, 17 dos 18 eram administrados por partidos classificados como de direita. O maior valor individual citado é o do governo do Rio de Janeiro, então comandado por Cláudio Castro, com cerca de R$ 3,7 bilhões.


    A Bahia também aparece na história, mas por outro caminho. O Credcesta, programa de crédito consignado originado a partir da antiga Cesta do Povo, foi privatizado durante o governo de Rui Costa (PT), em 2018. O negócio posteriormente se conectou ao empresário Augusto Lima, que se tornou sócio de Vorcaro. Reportagens apontam que medidas adotadas pelo governo baiano ampliaram as condições de operação do Credcesta e, posteriormente, restringiram a portabilidade das dívidas dos servidores.


    Portanto, a história não envolve apenas um espectro político. Embora a maior parte dos entes federativos apontados nos levantamentos fosse administrada pela direita, o caso do Credcesta mostra que também existem conexões investigadas envolvendo agentes ligados ao PT na Bahia. As responsabilidades individuais ainda são objeto de investigação.


    O caso do BRB


    Um dos principais capítulos do caso envolve o Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.


    O BRB comprou bilhões de reais em carteiras e ativos relacionados ao Banco Master. Uma auditoria apontou inicialmente possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões. Mais recentemente, relatório do Banco Central indicou um potencial impacto de aproximadamente R$ 11,4 bilhões para o BRB.


    Relatório da Polícia Federal divulgado neste mês também apontou que aproximadamente R$ 17 bilhões em créditos adquiridos pelo BRB tinham origem no Master e que cerca de R$ 12,2 bilhões eram compostos por títulos considerados falsos. As investigações ainda estão em andamento, e pessoas citadas nos documentos negam participação em irregularidades.


    E as relações com ministros?


    É justamente essa parte que colocou o caso novamente no centro das redes sociais.


    Documentos e mensagens extraídos do celular de Daniel Vorcaro passaram a revelar relações entre o empresário e integrantes do Judiciário. O STF também analisa documentos da Polícia Federal relacionados a supostos diálogos envolvendo autoridades. Em setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um processo relacionado à rede de pagamentos de Vorcaro.


    Reportagens recentes também revelaram mensagens envolvendo o ministro do STJ Benedito Gonçalves e informações sobre benefícios e hospedagens envolvendo outras autoridades. As circunstâncias e eventual existência de irregularidades estão sendo apuradas pelas autoridades competentes.


    Assim, embora o caso tenha ganhado uma nova dimensão com as suspeitas envolvendo autoridades do Judiciário, a investigação sobre o Banco Master é muito mais ampla e envolve operações financeiras, recursos públicos, instituições financeiras, empresas e agentes políticos de diferentes grupos.


    O conteúdo que viralizou nas redes sociais reúne esses diferentes episódios para defender uma interpretação política sobre o caso. Parte das informações apresentadas possui respaldo em documentos, investigações e reportagens, enquanto outras são interpretações ou acusações que ainda não foram comprovadas judicialmente.


    O caso continua sob investigação e novas informações podem alterar o entendimento sobre a participação e a responsabilidade de cada envolvido.


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