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Rio de Janeiro,24/08/2026

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    “Chico 2.0” conecta obra de Chico Buarque à música urbana contemporânea

    Projeto reúne artistas de diferentes gerações e gêneros em releituras de clássicos do compositor; primeira parte chega às plataformas nesta quinta-feira (21)


    “Chico 2.0” conecta obra de Chico Buarque à música urbana contemporânea Crédito: Ian Thommas

    A obra de Chico Buarque ganha novas interpretações em “Chico 2.0”, projeto que reúne artistas de diferentes gerações e gêneros para revisitar clássicos do compositor. A iniciativa é realizada pela CUFA, FRecords, Tha House e Universal Music Brasil e propõe uma conexão entre o repertório de Chico e as linguagens da música brasileira contemporânea.


    A primeira parte do projeto já está disponível nas plataformas digitais desde esta sexta-feira (21). A segunda etapa está prevista para outubro.


    Entre os artistas participantes estão Dexter, MC Livinho, Xênia França, MC Cabelinho, Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, Don L, VANDAL, Tasha & Tracie, Grag Queen, Bela Maria e Maurício Pazz.


    Com produção musical de Felipe Poeta e Alê Siqueira, “Chico 2.0” passeia por rap, trap, funk, R&B, samba, soul e nova MPB. As faixas partem das composições originais e ganham novas identidades a partir das referências de cada intérprete.


    Clássicos de Chico ganham novos beats


    A música urbana é um dos principais caminhos explorados pelo projeto. Artistas do rap, trap e funk levam suas próprias linguagens para canções que atravessaram gerações.


    Em “Cálice”, MC Cabelinho revisita o clássico de Chico Buarque e Gilberto Gil em uma versão que, segundo o artista, apresenta uma sonoridade diferente de trabalhos anteriores de sua carreira.


    MC Livinho participa das releituras de “Construção” e “Pivete”. Dexter também integra “Construção”, levando sua identidade para uma das composições mais marcantes do repertório de Chico.


    Já Tasha & Tracie colocam sua linguagem em “Deus Lhe Pague”, aproximando a canção de referências da dupla.


    Em “João e Maria”, Júlia Mestre divide os vocais com TZ da Coronel. A colaboração promove um encontro entre diferentes gerações e estilos, unindo a delicadeza da composição a uma sonoridade contemporânea.


    Outro destaque é a parceria entre Don L e VANDAL, em uma faixa que também conta com as participações de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque.


    Don L afirma que recebeu o convite com entusiasmo por ser admirador da obra do compositor e destaca a importância de apresentar essas canções para públicos mais jovens.


    “Eu sou um grande fã da obra de Chico, então recebi o convite muito honrado, pra interpretar uma música muito importante na história do Brasil e importante de ser lembrada no momento atual e pra sempre”, afirma.


    VANDAL também celebra o encontro e destaca a conexão entre artistas nordestinos.


    “Estou de coração preenchido e grato por participar de um projeto tão importante, ao lado de nomes tão relevantes da música brasileira. O que mais me toca é poder interpretar uma faixa com Milton Nascimento e o próprio Chico Buarque”, declara.


    R&B, pop e nova MPB também entram na mistura


    O “Chico 2.0” não se limita à música urbana. Artistas ligados ao R&B, pop e à nova MPB também participam das releituras.


    Xênia França, Budah, Grag Queen, Júlia Mestre e Bela Maria estão entre os nomes que levam suas próprias referências para diferentes momentos da obra de Chico.


    Xênia França destaca a importância de apresentar as composições a partir de uma perspectiva contemporânea.


    “Para mim, é uma honra participar desse projeto. Chico é um dos grandes mestres da música e da cultura brasileira, e sua obra sempre esteve no meu imaginário”, afirma.


    Em “Geni e o Zepelim”, Grag Queen utiliza elementos de seu próprio universo artístico para reinterpretar uma das canções mais conhecidas de Chico.


    A artista destaca a responsabilidade de revisitar uma obra tão importante, mas também a possibilidade de apresentar a história a partir de sua própria linguagem.


    “Foi uma experiência muito singular e de muita responsabilidade, mas também uma oportunidade de contar novamente essa história a partir da minha linguagem”, explica Grag.


    Já Bela Maria revisita “Meu Caro Amigo”, música que, segundo a cantora, faz parte de sua formação.


    “Foi uma honra das grandes dar uma nova roupagem a um clássico que escuto desde pequena. Me diverti muito explorando tons e ritmos que não costumo lançar, mas que fazem parte da minha vida”, conta.


    Ponte entre Chico Buarque e a música atual


    A proposta de “Chico 2.0” é aproximar uma obra que atravessou gerações das linguagens utilizadas pelos artistas que movimentam a música brasileira atualmente.


    Para Felipe Poeta, diretor musical do projeto ao lado de Alê Siqueira, a iniciativa nasceu justamente da vontade de criar essa conexão.


    “Desde o começo, a ideia foi criar essa ponte entre a obra do Chico e a música urbana de hoje. Mesmo sendo letras escritas em outros contextos, as histórias, os amores e os temas que ele aborda continuam muito atuais”, explica.


    Segundo Poeta, a intenção foi inovar nas sonoridades, mas preservar elementos fundamentais das composições originais, principalmente suas melodias e harmonias.


    Projeto também destaca a herança cultural


    A direção artística do projeto também conta com Celso Athayde, Preto Zezé e Fábio Almeida, que participaram da construção conceitual e cultural da iniciativa.


    Celso Athayde, fundador da CUFA e um dos idealizadores do projeto, destaca a responsabilidade de trabalhar com um repertório tão importante para a música brasileira.


    “Dirigir artisticamente o projeto Chico 2.0 é uma responsabilidade imensa com a história da nossa música. Os grandes clássicos do gênero sempre beberam na fonte da cultura popular”, afirma.


    Para Preto Zezé, presidente da CUFA, a proposta vai além de um resgate de músicas antigas. A intenção é colocar a obra de Chico em diálogo com a produção cultural contemporânea.


    “Este projeto não é um resgate nostálgico, é uma afirmação de futuro, conectando a sofisticação do gênero com a potência, o ritmo e a visão de mundo da favela contemporânea”, declara.


    Fábio Almeida ressalta que o encontro entre diferentes gerações e linguagens foi pensado desde o início do projeto.


    “Desde o início, o Chico 2.0 foi pensado como um encontro entre gerações, linguagens e diferentes formas de fazer música”, afirma.


    Novos caminhos para uma obra atemporal


    Para Paulo Lima, presidente da Universal Music Brasil, o projeto representa uma oportunidade de colocar o repertório de Chico Buarque em contato com novas vozes e perspectivas da música brasileira.


    Segundo ele, as releituras preservam a essência das composições enquanto permitem que cada artista apresente sua própria personalidade.


    “A música de Chico Buarque nunca deixou de ser atual. E esse projeto mostra justamente quantos novos caminhos podem nascer a partir de uma obra tão rica”, afirma.


    Com diferentes estilos e gerações reunidos em um mesmo projeto, “Chico 2.0” busca apresentar os clássicos de Chico Buarque sob novas perspectivas, aproximando seu repertório de públicos que acompanham as diferentes vertentes da música brasileira contemporânea.


    A primeira parte já está disponível nas plataformas digitais, e a segunda etapa do projeto está prevista para outubro.






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