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Rio de Janeiro,24/08/2026

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    Othon Bastos transforma 75 anos de histórias em espetáculo em Belém

    Aos 93 anos, ator celebra 75 anos de carreira em espetáculo que mistura memórias, humor e reflexões sobre a vida; temporada acontece até domingo (23), na CAIXA Cultural Belém


    Othon Bastos transforma 75 anos de histórias em espetáculo em Belém Crédito: Divulgação

    Aos 93 anos e com 75 de carreira, Othon Bastos chega a Belém com o espetáculo “Não me entrego, não!”, monólogo que reúne lembranças, histórias e reflexões de uma das trajetórias mais marcantes do teatro e do cinema brasileiro. A temporada na capital paraense começou nesta quinta-feira (20) e segue até domingo (23), na CAIXA Cultural Belém.


    Dois anos após a estreia, no Teatro Vannucci, no Rio de Janeiro, em 14 de junho de 2024, a montagem já ultrapassou 250 apresentações e foi assistida por mais de 100 mil pessoas em diferentes regiões do país. Em entrevista, Othon falou sobre a chegada a Belém e destacou a relação com a cidade e a experiência de descobrir novos lugares por meio da cultura e da gastronomia.


    “Quando você vai para um lugar, você tem que se punhar com aquele lugar. Então, você tem que ter o prazer de tudo, de aproveitar tudo para poder viver. A cidade é uma descoberta. Estou chegando aqui como se fosse um Cabral. Estou descobrindo o mundo para mim aqui”, afirmou o ator.


    A relação com o público também é um dos pontos centrais do espetáculo. Segundo Othon, “Não me entrego, não!” foi construído para compartilhar experiências de sua vida sem transformar as lembranças em um relato pesado. Pelo contrário: o humor e a capacidade de rir de si mesmo são ferramentas utilizadas pelo ator para abordar diferentes momentos de sua trajetória.


    “O grande achado do monólogo é que eu falo de mim mesmo quando debocho. Eu debocho de mim mesmo. Eu brinco comigo mesmo. Então, aconteceu isso comigo, mas não tem problema, eu vou em frente, não vou me entregar, não é isso que vai me abater, que vai me destruir, pelo contrário, vai me dar força para continuar em frente”, explicou.


    Um mosaico de 75 anos de carreira


    Escrito e dirigido por Flávio Marinho a partir de relatos e memórias confiados por Othon, o espetáculo percorre diferentes fases da vida do ator, passando por temas como trabalho, amor, teatro, cinema e política.


    A montagem também recupera personagens, experiências e trabalhos que marcaram a carreira de Othon, considerado um dos maiores atores brasileiros em atividade. Entre as obras lembradas estão “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, e “Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri.


    Para Othon, o espetáculo funciona como um grande quadro, formado por diferentes histórias e experiências que podem despertar no público suas próprias memórias.


    “O monólogo é esse, esse monólogo você vem com todo… vou te mostrando facetas, como se fosse um grande quadro, em que você vai pintando, vai colorindo o quadro. E aí você vai achar dentro dessa coloração toda algo que te despertou em você, alguma coisa”, afirmou.


    A peça também conta com a presença da atriz Marta Paret, que atua como uma espécie de “ponto” em cena e ajuda a conduzir as lembranças do ator. A ideia, segundo Othon, surgiu como uma maneira de transformar sua memória em um elemento cênico.


    “É uma espécie de Alexa em cena. Ela entra para fazer descrições”, brincou.


    Do interior da Bahia aos grandes palcos


    A trajetória que Othon revisita no palco começou ainda na juventude e foi marcada por desafios, substituições e oportunidades inesperadas. Em 2025, o espetáculo proporcionou um momento especialmente emocionante ao ator: o retorno a Tucano, na Bahia, sua cidade natal, onde não pisava havia mais de 80 anos.


    Desde a estreia, “Não me entrego, não!” passou por cidades como São Paulo, Brasília, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Vitória, São José dos Campos, Nova Friburgo, Santo André, São Caetano, Guarulhos, Franca, Angra dos Reis, Bauru, Niterói e Taubaté.


    A montagem também coleciona importantes reconhecimentos. Entre eles estão o Prêmio Inspira Rio 2025, na categoria Cultura; o Prêmio Arcanjo 2025, como Vencedor Especial; e o Prêmio Shell, que reconheceu Othon como Melhor Ator de 2024.


    O ator também recebeu o prêmio de Melhor Ator Protagonista no 19º Prêmio APTR de Teatro. A produção e o autor Flávio Marinho também foram premiados na mesma edição. Othon ainda recebeu o Prêmio Oficial do Júri no FITA e foi homenageado na primeira edição do Prêmio Arte e Longevidade Rio 2024, além do prêmio Cariocas do Ano 2024, da revista Veja Rio, na categoria Teatro.


    “Quero encontrar esse afeto”


    Em Belém, Othon espera reencontrar uma plateia capaz de estabelecer uma conexão afetiva com as histórias que leva ao palco. O ator já esteve na capital paraense décadas atrás e carrega consigo as lembranças daquele período.


    “Eu tenho certeza absoluta de que o público vai ter a mesma satisfação, prazer, alegria que eu estou sentindo em voltar aqui. Então, eu quero encontrar esse afeto, esse amor, esse carinho da plateia daqui, que foi um tempo, um longo tempo atrás”, disse.


    Mais do que contar a própria história, Othon afirma que deseja provocar identificação no público. A ideia é que cada espectador encontre, entre as memórias do ator, alguma experiência que dialogue com sua própria vida.


    “É isso que eu quero, que você tenha essa alegria de encontrar dentro de você algo que seja parecido com o que eu estou fazendo, ou fiz na vida”, destacou.


    Ao longo de 90 minutos, “Não me entrego, não!” apresenta uma trajetória construída sobre desafios, escolhas e recomeços. Para Othon, a mensagem central está justamente na capacidade de seguir adiante.


    “A vida tem vários caminhos, vários atalhos, e você tem que ir acompanhando isso. E eu tenho certeza que o público vai receber com muito carinho aquilo que eu vou dizer. Porque eu não vou dizer coisas tristes pra eles. Eu vou falar com amor, que é a base de tudo.”


    Serviço


    Espetáculo: “Não me entrego, não!”

    Temporada: 20 a 23 de agosto de 2026

    Horário: quinta-feira a domingo, às 19h

    Local: CAIXA Cultural Belém

    Endereço: Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Reduto — Porto Futuro II, Belém (PA)

    Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)

    Classificação: 12 anos

    Duração: 90 minutos

    Instagram: @othonbastosnoteatro

    Produção nacional: Gávea Filmes

    Produção local: Imaginária Entretenimentos


    ASSISTA:






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