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Rio de Janeiro,19/08/2026

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    Após quebra de sigilo de blogueiro, ministros do STF defendem rediscussão do diploma de jornalista

    Declarações de Flávio Dino e Alexandre de Moraes ocorreram após decisão que determinou a quebra do sigilo da fonte de um blogueiro investigado por suposta perseguição ao ministro do STF


    Após quebra de sigilo de blogueiro, ministros do STF defendem rediscussão do diploma de jornalista Crédito: Marcello Dantas

    Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defenderam nesta terça-feira (18) uma possível rediscussão sobre a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão no Brasil.


    As declarações ocorreram durante sessão da 1ª Turma do STF, que analisava uma ação envolvendo o direito de resposta de uma mulher citada em uma reportagem da TV Globo. O julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Cármen Lúcia, que afirmou precisar de mais tempo para analisar o processo.


    Durante a discussão, Dino relembrou a decisão tomada pelo STF em 2009, quando a Corte derrubou a exigência do diploma para o exercício da atividade jornalística. Na avaliação do ministro, a decisão trouxe dificuldades para definir a extensão de garantias constitucionais, como o sigilo da fonte, a profissionais que atuam na produção de conteúdo jornalístico sem formação específica.


    “Tudo isto se tornou ainda mais difícil, porque há uma decisão suprema, a qual respeito, obviamente, e quem sabe um dia será debatida novamente, quanto à dispensa do diploma de jornalista para o exercício da profissão”, afirmou Dino.


    O ministro também citou a atuação de blogueiros e produtores independentes de conteúdo, questionando a extensão automática das garantias previstas para a atividade jornalística a esses profissionais.


    Sigilo da fonte


    A discussão acontece uma semana após se tornar pública uma decisão de Alexandre de Moraes que determinou a quebra do sigilo da fonte do blogueiro Luís Pablo, do Maranhão.


    A medida foi tomada no contexto de um inquérito que apura suposta perseguição ao ministro Flávio Dino. O blogueiro havia publicado imagens de Dino e de familiares em veículos funcionais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).


    Segundo a decisão, a quebra do sigilo do celular buscava identificar a origem das informações recebidas pelo comunicador. A fonte seria o ex-secretário do Maranhão Raimundo Cutrim, que, de acordo com a Polícia Federal, teria perseguido Dino. Cutrim está em prisão domiciliar preventiva por suspeitas relacionadas ao chamado “caso Tech Office”.


    A decisão provocou preocupação entre entidades de imprensa brasileiras e internacionais, principalmente em relação aos limites do sigilo da fonte, garantia prevista no artigo 5º da Constituição Federal.


    Direito de resposta


    Durante o julgamento desta terça-feira, Dino também destacou que a liberdade de imprensa deve ser exercida em equilíbrio com outros direitos constitucionais, entre eles o direito de resposta.


    O ministro afirmou que não seria possível manter conteúdos considerados incorretos ou desinformativos sem oferecer ao cidadão atingido a possibilidade de apresentar sua versão dos fatos.


    Dino argumentou ainda que a ausência de exigência de diploma e de uma instituição privada de autorregulação profissional cria desafios para o Judiciário ao analisar conflitos envolvendo direitos como sigilo da fonte, liberdade de imprensa e direito de resposta.


    Moraes acompanhou as considerações e afirmou que as próprias empresas jornalísticas precisam estar atentas a eventuais erros capazes de causar danos a terceiros.


    O julgamento, no entanto, não foi concluído. Com o pedido de vista de Cármen Lúcia, a análise do processo deverá ser retomada posteriormente pela 1ª Turma do STF.


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