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Rio de Janeiro,20/08/2026

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    Candidaturas LGBT+ batem recorde nas eleições de 2026 e ampliam presença no país

    Levantamento aponta 514 nomes LGBT+ confirmados na disputa, alta de 57% em relação a 2022


    Candidaturas LGBT+ batem recorde nas eleições de 2026 e ampliam presença no país Crédito: Valdinei Souza

    As candidaturas de pessoas LGBT+ alcançaram um novo recorde nas eleições gerais de 2026. Até o momento, 514 nomes foram identificados na disputa, número 57% maior que o registrado em 2022. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado nesta terça-feira (18) pelo Instituto Plena Cidadania.


    O crescimento chama atenção porque ocorre em um cenário de redução no número total de candidaturas. Enquanto 2022 registrou 29.262 candidaturas, as eleições deste ano somam 20.524 até agora. Com isso, a participação de candidatos LGBT+ no universo eleitoral passou de 1,12% para 2,5%.


    Na prática, a proporção passou de uma candidatura LGBT+ para aproximadamente 90 candidaturas, em 2022, para uma a cada 40 neste ano.


    Disputa para o Legislativo cresce


    O avanço aparece principalmente nas disputas para os Legislativos. As candidaturas LGBT+ à Câmara dos Deputados passaram de 116, em 2022, para 214 em 2026, crescimento de 84%.


    Já as candidaturas às assembleias estaduais e à Câmara Legislativa do Distrito Federal subiram de 205 para 279, aumento de 36%.


    Para Gui Mohallem, da diretoria executiva do Instituto Plena Cidadania, o crescimento também está relacionado ao interesse dos próprios partidos em ampliar sua presença eleitoral.


    “Esse crescimento mostra que nossas lideranças estão sabendo construir espaço dentro dos partidos. E mostra também que as legendas começaram a fazer as contas”, afirma.


    Presença LGBT+ se espalha pelo país


    O levantamento também aponta uma expansão regional das candidaturas. O crescimento foi mais expressivo no Norte, com alta de 141%; no Centro-Oeste, de 88%; e no Nordeste, de 82%.


    Em números absolutos, o Norte passou de 22 para 53 candidaturas LGBT+. No Centro-Oeste, foram de 41 para 77, enquanto o Nordeste avançou de 73 para 133.


    O Sudeste continua concentrando o maior número absoluto, com 161 candidaturas. Apesar disso, sua participação no total caiu de 37,6%, em 2022, para 31,3% neste ano.


    Mais partidos têm candidaturas LGBT+


    A presença LGBT+ também se tornou mais distribuída entre as legendas. Em 2022, candidaturas LGBT+ foram identificadas em 23 dos 32 partidos existentes naquele pleito. Em 2026, o levantamento aponta presença em 27 dos 30 partidos que disputam a eleição.


    PT e PSOL continuam entre as siglas com maior número de candidaturas LGBT+, mas passaram a concentrar uma parcela menor do total mapeado.


    O levantamento, porém, destaca que o aumento no número de candidaturas não significa, necessariamente, maior competitividade. O financiamento partidário aparece como um dos principais fatores para o desempenho dessas campanhas.


    Segundo o Instituto Plena Cidadania, entre lideranças LGBT+ eleitas em 2024, mais da metade das vinculadas a partidos de centro e de direita não recebeu financiamento partidário. Entre as eleitas por partidos de esquerda, o percentual foi de aproximadamente 20%.


    “É muito positivo que as lideranças LGBT+ estejam se lançando em um leque maior de partidos. Precisamos acompanhar agora em que medida cada partido vai apoiar efetivamente essas lideranças, sobretudo com recursos para suas campanhas”, afirma Mohallem.


    Como os dados foram levantados


    O levantamento foi elaborado a partir das inscrições registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na plataforma VoteLGBT, considerando candidaturas autodeclaradas e que autorizaram a divulgação das informações.


    Como os dados são autodeclaratórios, o número de candidaturas pode sofrer alterações durante o período eleitoral. Novos nomes poderão ser incluídos e informações poderão ser atualizadas ou complementadas ao longo da campanha.


    Também participam do mapeamento de lideranças a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), o coletivo Tymbyras e o Transmasc no Poder.




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