Padre e comunidade católica são excomungados após adesão à Fraternidade São Pio X, grupo em conflito com o Vaticano
Segundo a Igreja Católica, o sacerdote e os fiéis passaram a integrar a Fraternidade São Pio X, organização tradicionalista que vive um impasse histórico com Roma e é acusada de romper a comunhão com o papa
Crédito: divulgação A Arquidiocese de Brasília anunciou a excomunhão do padre Françoá Costa e de toda a comunidade ligada à Capela Santo Atanásio, localizada na Ceilândia, no Distrito Federal. A decisão foi formalizada por meio de uma nota canônica divulgada na última sexta-feira (10), na qual a Igreja Católica aponta a adesão do sacerdote à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) como motivo da penalidade.
Segundo a arquidiocese, o padre comunicou ao bispo diocesano de Anápolis (GO), em abril de 2025, sua vinculação à fraternidade tradicionalista. A própria Capela Santo Atanásio se apresenta publicamente como ligada à FSSPX, o que levou a Igreja a considerar que a comunidade passou a atuar fora da comunhão com o Papa e com os bispos em união com Roma.

No documento, a Arquidiocese de Brasília orienta os católicos a não frequentarem a capela e afirma que celebrações, atividades pastorais, cursos de formação e demais ações promovidas no local devem ser evitadas pelos fiéis. A justificativa é o risco de adesão ao que a Igreja classifica como situação de cisma, quando há ruptura da unidade com a autoridade da Igreja Católica.
A nota também destaca que sacramentos celebrados na capela, como casamentos e confissões, são considerados irregulares por não ocorrerem em comunhão com o Romano Pontífice nem com o arcebispo local.
Além do sacerdote, a arquidiocese afirma que fiéis que aderem formalmente à Fraternidade São Pio X, compartilhando posições contrárias à submissão ao Papa e aos bispos em comunhão com ele, também podem ser considerados em situação de cisma e sujeitos à excomunhão.
Tensão entre Vaticano e grupo tradicionalista
A decisão ocorre em meio a um novo capítulo da crise entre o Vaticano e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. O grupo tradicionalista ganhou destaque após ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé durante uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, ato classificado pelo Vaticano como cismático.
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a FSSPX surgiu em oposição a mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. Entre as principais bandeiras do grupo estão a defesa das missas em latim, a celebração da liturgia segundo os ritos anteriores ao concílio e críticas a parte das reformas adotadas pela Igreja Católica nas últimas décadas.
O Vaticano sustenta que a fraternidade mantém posições incompatíveis com a plena comunhão eclesial e reforça que a fidelidade à tradição católica deve caminhar junto à obediência ao Papa e aos bispos da Igreja.




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