Retorno do Tupinambá reúne imprensa do Reino Unido e equipes de dois filmes
Em entrevista ao PORTAL VIGGO, diretora destaca importância histórica do retorno, que terá cobertura do Reino Unido e captação de dois filmes
Crédito: Reprodução O grande retorno do icônico Tupinambá acontece neste sábado (11), no Estádio Mangueirão, e já é considerado o evento do ano em Belém. A volta da aparelhagem está atraindo, além da imprensa local, a cobertura internacional, com equipe do Reino Unido confirmada para acompanhar o espetáculo. O evento também contará com duas equipes de São Paulo, que irão captar imagens para um documentário e um filme, este último ainda mantido sob sigilo.
É nesse cenário de expectativa e projeção global que a diretora Débora McDowell acompanha de perto o momento para registrar uma das cenas mais simbólicas do seu documentário “Anos Led de Distância”, que está em fase final de gravações. Para ela, o retorno do Tupinambá sintetiza não apenas a força da memória afetiva do público, mas também a permanência e reinvenção do tecnobrega ao longo dos anos.
“O retorno do Tupinambá é um grande marco desse momento que a gente vive agora. É um momento de nostalgia, o mercado da nostalgia é muito poderoso, e eu sinto que é isso que a gente está vivendo com o Tupinambá, com uma aparelhagem icônica marcando o seu retorno”, afirma.
A diretora destaca que o fenômeno vai além da nostalgia e reflete a própria essência do movimento.
“Não é à toa. É mérito do Tupinambá, é mérito do Dinho, é mérito do Seu Andir, que lá atrás idealizou e construiu o Tupinambá. Mas também é um reflexo do tempo que a gente está vivendo. É um movimento que, no final das contas, é atemporal”, completa.
O documentário mergulha na história do tecnobrega, desde suas origens até o atual momento de redescoberta nacional. Jornalista de formação, Débora pesquisa o gênero desde a faculdade e construiu uma trajetória dentro da própria cena cultural.
“Já frequento as festas, já gravei com vários artistas, já fui produtora de shows da Gaby Amarantos e de eventos com aparelhagens. Então, transformar essa vivência em um documentário foi uma forma de organizar essa história e também contribuir com o registro desse movimento”, explica.
As gravações começaram no final de 2024 e passaram por diferentes territórios da Amazônia, como Belém, Marajó e Manaus, conectando o tecnobrega a outras influências musicais e contextos culturais.
“É um projeto muito denso em termos de pesquisa. A gente está falando de um movimento que não é só musical. É dança, é estética, é linguagem, é comportamento. Então o filme também busca dar conta dessa complexidade”, destaca.
O longa reúne entrevistas com nomes fundamentais da cena, como Gaby Amarantos, Viviane Batidão, Zainara e DJ Dinho, além de DJs, produtores e pesquisadores.
Com equipe 100% paraense, o filme também reforça a importância de narrativas construídas a partir do próprio território, valorizando a vivência local e combatendo olhares superficiais sobre a cultura amazônica.
“Acho que esse filme só poderia ser feito por uma equipe daqui. Existe uma responsabilidade em contar essa história com profundidade, sem superficialidade. É sobre a gente tomar controle das nossas narrativas”, afirma.
Para Débora, o tecnobrega já ultrapassou barreiras e se consolidou como um dos movimentos culturais mais relevantes do país.
“O tecnobrega é um dos movimentos mais vanguardistas que a gente tem hoje, não só no Brasil, mas na América Latina. E registrar isso é fundamental. A nossa música precisa de memória, precisa de registro, precisa ser documentada”, pontua.
Com lançamento previsto para 2027, após circuito por festivais, “Anos Led de Distância” deve ter no retorno do Tupinambá um de seus momentos mais emblemáticos, um encontro entre passado, presente e futuro que reforça a potência cultural das aparelhagens paraenses.
“É um movimento que está anos-luz de distância do que o Brasil acha que conhece. É passado, é presente e é futuro ao mesmo tempo. E a gente precisa imortalizar essa história em todos os formatos possíveis”, conclui.





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