Do Pará para a Sapucaí: Zeneida Lima, a última pajé marajoara, será enredo da Beija-Flor em 2027
Escola leva à Sapucaí a história da última pajé marajoara em um desfile que promete exaltar ancestralidade, espiritualidade e resistência cultural
Crédito: Beija-Flor A Beija-Flor de Nilópolis revelou o enredo que apresentará no Carnaval 2027 e volta seus olhos para o Norte do país. Com o tema “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, a escola vai homenagear a trajetória de Zeneida Lima, considerada a última pajé marajoara e um dos maiores símbolos culturais do arquipélago do Marajó, no Pará.
Depois de alcançar o vice-campeonato em 2026, a agremiação segue investindo em narrativas que dialogam com a identidade brasileira. Desta vez, propõe um mergulho na encantaria amazônica e nos saberes tradicionais que atravessam gerações, tendo Zeneida como eixo central do desfile.
Muito além da espiritualidade, a homenageada construiu uma atuação ampla: é escritora, compositora, poeta e uma voz ativa na defesa do meio ambiente e das culturas originárias. À frente da Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), desenvolve um trabalho social que impacta diretamente crianças e adolescentes com atividades educativas e culturais.
A ligação entre Zeneida e a Beija-Flor atravessa décadas. Foi a partir do livro O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó, lançado em 1992, que a escola encontrou inspiração para o desfile campeão de 1998. Agora, quase 30 anos depois, a relação ganha um novo capítulo, desta vez, com foco na própria história de vida da pajé.
O reconhecimento da sua importância também chegou ao meio acadêmico. Em 2021, Zeneida foi homenageada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade do Estado do Pará. Sua trajetória também foi retratada no cinema no filme Encantados, dirigido por Tizuka Yamasaki.
Para dar forma ao enredo, a equipe da escola realizou imersões em Soure, fortalecendo o contato com o território e com os elementos culturais que cercam a história de Zeneida. A criação é assinada pelo carnavalesco João Vitor Araújo, junto aos pesquisadores Vivian Pereira, Guilherme Niegro e Bruno Laurato.
Segundo o presidente da escola, Almir Reis, o enredo carrega um significado afetivo e simbólico. A escolha representa não apenas uma homenagem, mas também a retomada de um elo construído ao longo dos anos com a cultura marajoara.
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