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Belém,05/04/2026

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Tradição com consciência: Malhação de Judas na Cremação destaca combate ao feminicídio em Belém

Manifestação popular reuniu centenas de moradores neste sábado de Aleluia (4) e transformou o ritual em um ato de denúncia contra a violência, o racismo e outras questões sociais


Tradição com consciência: Malhação de Judas na Cremação destaca combate ao feminicídio em Belém Crédito: Júnior Corrêa / Portal Viggo

A tradicional Malhação de Judas no bairro da Cremação, em Belém, reuniu centenas de moradores e associações locais na manhã deste sábado (4), com um forte apelo social. Realizada na rua Fernando Guilhon, entre as avenidas Alcindo Cacela e Quintino Bocaiúva, a programação deste ano trouxe como tema central o combate ao feminicídio, unindo cultura popular e conscientização.


Promovida pela Associação dos Judas da Cremação, a festividade celebra 76 anos de história, iniciada em 1950. Ao longo das décadas, o evento se consolidou como uma das mais importantes expressões culturais da comunidade, reunindo diferentes gerações em um momento de tradição e reflexão.


Além da denúncia contra o feminicídio, os bonecos confeccionados pelos moradores também representaram críticas ao racismo, à violência contra os animais, à exploração sexual infantil e à precariedade no abastecimento de água pela concessionária Águas do Pará. A população destacou a contradição entre as altas tarifas cobradas e a ausência de água nas torneiras.


A malhação de Judas é uma prática simbólica ligada ao sábado de Aleluia e remete à figura de Judas Iscariotes, conhecido por trair Jesus Cristo. Tradicionalmente, o ritual consiste em espancar e, em alguns casos, queimar um boneco de pano ou palha, representando a punição ao traidor.


Com o passar do tempo, no entanto, o significado da tradição foi ampliado. Hoje, o ato também funciona como uma forma de protesto popular, permitindo que a comunidade expresse indignação diante de problemas sociais contemporâneos.


Em Belém, a programação contou ainda com atividades recreativas e culturais, como distribuição de cana-de-açúcar, quebra-pote e brincadeiras voltadas ao público infantil, garantindo a participação de crianças, jovens e adultos.


O ponto alto do evento foi a exposição e a “malhação” do boneco, que neste ano foi adaptado para representar um criminoso, com mensagens diretas contra a violência de gênero. Cartazes reforçaram a importância de tratar o feminicídio como um crime grave, que exige enfrentamento, justiça e políticas públicas eficazes.


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