Exposição “Apesar de” reúne cinco artistas e propõe reflexão sobre permanência no Mês da Mulher em São Paulo
Mostra no Ateliê Casa Um convida o público a pensar resistência, fragilidade e reinvenção a partir de cerca de 30 obras
Crédito: Reprodução Em sintonia com o Mês da Mulher, o Ateliê Casa Um recebe até o dia 28 de março a exposição “Apesar de”, uma mostra coletiva que propõe uma reflexão sensível e profunda sobre permanência, resistência e reinvenção em cenários de desgaste e instabilidade.
Reunindo as artistas Andréa Derani, Ani Cuenca, Cátia Goffinet, Francine Jubran e Suely Bogochvol, o projeto curatorial parte de uma ideia central: nada se rompe de forma absoluta. Em vez de abordar o colapso, a exposição investiga o que permanece, aquilo que continua existindo mesmo quando estruturas, vínculos e sentidos parecem fragilizados.
A proposta desloca o olhar da queda para o intervalo. É nesse espaço simbólico que a mostra se constrói, explorando estados de suspensão, fragmentação e continuidade. Mais do que falar sobre perdas, “Apesar de” se debruça sobre o que resiste, ainda que de maneira incompleta ou instável.
Inserida no contexto do Mês da Mulher, a exposição amplia seu caráter político e poético ao apresentar o feminino não como resistência heroica, mas como um processo contínuo de sustentação e reinvenção da vida. A experiência feminina surge como território de criação e reorganização constante, onde existir é também negociar, adaptar e persistir.
Instalada em um espaço reconhecido por sua atuação cultural e social, a mostra reúne aproximadamente 30 obras que dialogam diretamente com valores como acolhimento, transformação e reconstrução.
Poéticas da permanência
Cada artista apresenta um eixo de investigação próprio, construindo um mosaico de experiências e linguagens.
Andréa Derani trabalha a partir da ideia de reparação, explorando materiais fragmentados que são reorganizados sem a promessa de retorno ao estado original. Seu gesto artístico valoriza o cuidado e a manutenção como formas de permanência.
Já Ani Cuenca investiga estruturas em desgaste, evidenciando sistemas que continuam existindo mesmo quando já não cumprem plenamente sua função. Em suas obras, a falha não é erro, mas condição visível.
Cátia Goffinet aborda o corpo em estado de suspensão, criando imagens que traduzem a instabilidade como condição permanente. O corpo, em suas obras, existe sem apoios fixos, em constante negociação com o espaço.
Francine Jubran direciona seu olhar para as relações humanas fragmentadas, apresentando vínculos que persistem mesmo quando atravessados por rupturas. A permanência, aqui, se dá pelo rearranjo.
Por fim, Suely Bogochvol trabalha com objetos do cotidiano, ressignificando materiais descartados e explorando suas potências simbólicas. O que antes era sobra ganha nova presença e significado.
Uma exposição sem respostas prontas
“Apesar de” não oferece uma narrativa linear ou respostas fechadas. As obras coexistem em tensão, propondo ao público uma experiência aberta, marcada por contrastes e múltiplas leituras.
Mais do que uma exposição sobre perda, a mostra se afirma como um território de reflexão sobre aquilo que continua, mesmo quando tudo parece ruir. No contexto do Mês da Mulher, reforça o feminino como força ética, política e criadora, capaz de sustentar e reinventar a existência apesar de tudo.
Serviço
Exposição: Apesar de
Período: até 28 de março
Horários: terça a sexta, das 14h às 18h; sábado, das 11h às 15h
Local: Ateliê Casa Um
Artistas: Andréa Derani, Ani Cuenca, Cátia Goffinet, Francine Jubran e Suely Bogochvol









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