Saúde bucal é aliada na qualidade de vida de pessoas com Síndrome de Down
Especialistas reforçam importância do acompanhamento odontológico regular e do cuidado multidisciplinar para promover inclusão e bem-estar
Crédito: Reprodução No dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down, uma data dedicada à conscientização e ao fortalecimento de ações que promovam a inclusão e a qualidade de vida das pessoas com a condição. Entre os cuidados essenciais, a saúde bucal ganha destaque como parte fundamental do bem-estar e da autonomia desse público.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 7,3% da população com dois anos ou mais. Já a PNAD Contínua 2022 aponta que o Pará concentra aproximadamente 8% da população nessa condição, cerca de 680 mil a 700 mil pessoas. Em Belém, esse número chega a aproximadamente 120 mil.
Pessoas com Síndrome de Down apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de cáries e doenças gengivais. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão limitações físicas ou cognitivas, dificuldades na escovação adequada e hábitos alimentares com maior consumo de pães, massas e doces.
Segundo a cirurgiã-dentista Nely Cristina, mestre e doutora em Endodontia e especialista em Saúde Pública da Wyden, a saúde bucal deve ser tratada como parte essencial do cuidado integral.
“A saúde bucal é parte fundamental da qualidade de vida das pessoas com Síndrome de Down. O acompanhamento odontológico regular, aliado à orientação da família e a práticas adequadas de higiene, contribui para prevenir doenças e promover mais autonomia, bem-estar e inclusão social”, explica.
Além da prevenção e do tratamento de doenças bucais, a Odontologia também integra o atendimento multiprofissional, ao lado de médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Esse trabalho conjunto contribui para melhorias na mastigação, na fala e até na respiração.
A especialista destaca ainda que a saúde bucal é um direito integral dessa população e que o cirurgião-dentista tem papel essencial na construção de um atendimento mais inclusivo e humanizado. A Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (OPNE) é a área voltada ao cuidado de pessoas que necessitam de adaptações no atendimento odontológico, seja por condições físicas, mentais, sensoriais ou sistêmicas.
No Sistema Único de Saúde (SUS), esse público é atendido por profissionais capacitados nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO). Em Belém, as unidades estão preparadas para oferecer um atendimento humanizado, com abordagem multidisciplinar e participação ativa da família no processo de cuidado.
O acompanhamento periódico com o cirurgião-dentista é fundamental para estimular e supervisionar a higiene bucal de pessoas com Síndrome de Down. O atendimento deve priorizar acolhimento, diálogo e a participação do paciente, sempre com foco na promoção da qualidade de vida e na inclusão social.









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