Sem eixo Rio-SP, futebol mantém desempenho estável e streaming pressiona audiência no horário nobre
Futebol garante bons índices fora do eixo tradicional, mas avanço do streaming já ameaça a hegemonia da TV aberta nas principais praças do país
Crédito: Globo / Record A noite desta quarta-feira (18) confirmou uma tendência cada vez mais visível na TV brasileira: mesmo sem clubes do chamado eixo Rio-São Paulo, o futebol segue competitivo na audiência, mas já sente, com força, o avanço do streaming em diferentes praças do país.
Em São Paulo, a transmissão de Athletico-PR x Cruzeiro garantiu à Record a vice-liderança no início da noite, com índices na casa dos 4 pontos. O resultado é considerado razoável, sobretudo por não envolver equipes paulistas ou cariocas, que tradicionalmente elevam o interesse do público local.
Às 19h35, o jogo marcou 4,13 pontos, superando o Jornal da Band (3,77) e o SBT Brasil (3,46). Já às 19h57, a audiência subiu para 4,85 pontos, consolidando o segundo lugar isolado. A liderança permaneceu com a Globo, impulsionada pela novela Coração Acelerado, que beirou os 18 pontos.
Enquanto isso, a soma dos streamings chamou atenção: com mais de 16 pontos no mesmo horário, já rivaliza diretamente com a TV aberta, ficando atrás apenas da Globo.
No Sul, o cenário se repete, e até se intensifica. Em Porto Alegre, a novela das nove Três Graças liderou com 25,41 pontos, mas viu o streaming encostar perigosamente, com 18,54. A Record ficou em terceiro com o futebol (3,23), enquanto Band e SBT tiveram desempenhos mais tímidos.
No Rio de Janeiro, a estratégia local fez diferença. Sem futebol na faixa, o SBT Rio 2ª Edição conquistou a vice-liderança com 4,10 pontos, superando a Record (3,85), que priorizou a transmissão esportiva. A Globo liderou com folga, novamente com Coração Acelerado.
Já no horário nobre, o sinal de alerta se acendeu de vez em São Paulo. A transmissão de Santos x Internacional pela Globo (15,07) foi superada pela soma dos streamings (15,44), evidenciando uma mudança no consumo do público. O Programa do Ratinho ficou em terceiro (5,51), seguido pela Record com a série Reis (5,07).
Para o analista de audiência Sylas Dourado, os números mostram um mercado em transição, e com novos protagonistas: “O futebol continua sendo um produto forte, mesmo sem times do eixo principal, mas já não é mais suficiente para garantir liderança isolada. O público fragmentou — e o streaming virou concorrente direto, não apenas complementar.”
Segundo ele, o desempenho da Record pode ser considerado positivo dentro do contexto: “Manter 4 a 5 pontos com um jogo ‘fora do eixo’ é um bom resultado. Mostra que há público fiel ao futebol na TV aberta, especialmente quando há oferta gratuita.”
No entanto, o avanço das plataformas digitais muda o jogo: “Quando o streaming empata ou supera transmissões ao vivo, como vimos em São Paulo, isso indica uma virada estrutural. Não é mais tendência futura, é realidade.”
Sylas também destaca a importância da regionalização: “No Rio, o SBT soube aproveitar a ausência do futebol local para crescer com o jornalismo. Isso reforça que entender o comportamento regional é essencial para disputar audiência hoje.”









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