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Belém,18/03/2026

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Câncer bucal avança silenciosamente no Brasil e escancara falhas no diagnóstico precoce

Doença ainda é pouco percebida pela população, apesar de registrar milhares de casos por ano e causar impactos severos quando identificada tardiamente


Câncer bucal avança silenciosamente no Brasil e escancara falhas no diagnóstico precoce Crédito: Reprodução

O câncer bucal segue avançando de forma silenciosa no Brasil e permanece como uma das doenças oncológicas menos percebidas pela população, apesar de seu alto potencial de mutilação física, emocional e social quando diagnosticado em estágio avançado. Especialistas alertam que a desinformação e a ausência de diagnóstico precoce continuam sendo os principais fatores que agravam o cenário no país.


De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos de câncer de boca por ano, dentro de um universo de aproximadamente 40 mil ocorrências anuais de câncer de cabeça e pescoço. Mesmo com números expressivos, a doença ainda recebe pouca atenção quando comparada a outros tipos mais debatidos, como os cânceres de mama e de próstata.


Um dos principais desafios está no comportamento silencioso da doença. Em sua fase inicial, o câncer bucal geralmente não causa dor, o que faz com que muitos pacientes ignorem sinais importantes. Entre os sintomas que merecem atenção estão feridas que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, áreas endurecidas, caroços, sangramentos e dormência na boca, alterações que podem persistir por meses sem investigação adequada.


Quando o diagnóstico acontece tardiamente, o tratamento tende a ser mais agressivo, envolvendo cirurgias mutiladoras, com remoção de partes da língua, mandíbula ou face, além de sessões de radioterapia e quimioterapia. As consequências vão além do aspecto físico, impactando diretamente a fala, a alimentação, a autoestima e a convivência social dos pacientes, muitas vezes levando ao isolamento.


Outro ponto crítico destacado por especialistas é o papel essencial do cirurgião-dentista no diagnóstico precoce. Em muitos casos, é no consultório odontológico que lesões suspeitas poderiam ser identificadas ainda no início. No entanto, a falta de protocolos sistemáticos, o receio na abordagem ou até a subvalorização de sinais iniciais fazem com que muitos casos passem despercebidos.


Há relatos recentes que reforçam o alerta. Em um dos casos acompanhados por profissionais da área, uma cirurgiã-dentista desenvolveu a doença sem identificar os sinais iniciais e hoje convive com mutilação facial decorrente do diagnóstico tardio, uma situação que evidencia a urgência de maior atenção e preparo, inclusive entre profissionais da saúde.


Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de ampliar a conscientização da população e investir na capacitação contínua dos profissionais. A orientação é clara: qualquer alteração na boca que persista por mais de 15 dias deve ser avaliada por um cirurgião-dentista, com investigação adequada e, se necessário, realização de biópsia.


Grupos considerados de maior risco incluem fumantes, pessoas que consomem álcool com frequência, usuários de próteses mal ajustadas, indivíduos com exposição solar sem proteção labial e aqueles com histórico familiar de câncer.


Movimento nacional reforça prevenção


Para enfrentar esse cenário, surge o Movimento Nacional pela Prevenção do Câncer Bucal, liderado pelo especialista Ronaldo Dias de Oliveira, idealizador da campanha, e pelo biomédico Roberto Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria, referência nacional na divulgação científica acessível.


A iniciativa conta com o apoio institucional do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) e tem como objetivo transformar a prevenção em uma pauta permanente de saúde pública. A proposta busca conectar profissionais, instituições e a sociedade, ampliando o acesso à informação, incentivando o diagnóstico precoce e evitando que casos tratáveis evoluam para quadros irreversíveis.


O alerta é direto: informação e atenção aos sinais podem salvar vidas, e evitar consequências que vão muito além da saúde física.




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