No Pará, quilombolas protestam e acampam na Avenida Liberdade
Comunidade do Abacatau denuncia abandono de obra de asfaltamento e aponta risco estrutural em túnel construído como acesso à antiga estrada
Crédito: Evelyn Costa O protesto organizado pelo território quilombola do Abacatau, em Belém (PA), entrou no segundo dia nesta terça-feira (3) com acampamento montado sobre um dos trechos da Avenida Liberdade. A mobilização cobra a conclusão de obras consideradas compensatórias ao projeto viário e denuncia riscos estruturais em um túnel construído como acesso à antiga estrada da comunidade.
Em depoimento ao PORTAL VIGGO, a quilombola Vanuza Cardoso afirmou que o asfaltamento da estrada do Abacatau, apontado como medida de mitigação vinculada à nova via, foi interrompido e permanece inacabado. Segundo ela, a estrada original foi cortada pela avenida, e o túnel erguido como desvio apresenta problemas.
“Esse túnel está desabando. Ele não tem o tamanho exato de 5 metros que é exigido pelo DNIT, e as barreiras não têm proteção. Com as fortes chuvas, está desmoronando para o meio da rua”, relatou.
De acordo com a liderança, há risco iminente de acidentes envolvendo ciclistas, motociclistas e motoristas. A comunidade afirma que permanecerá acampada por tempo indeterminado até que haja posicionamento e solução por parte do poder público.
Acampamento em duas frentes
Além do grupo instalado sobre o túnel, outro ponto de mobilização ocorre na comunidade dos Navegantes. Moradores também relatam dificuldades relacionadas ao acesso à água potável e ao que classificam como descumprimento de acordos firmados com o Estado.
“A gente tinha nossa estrada toda esburacada, mas não passava por dentro de um buraco como é esse túnel que eles fizeram”, declarou Vanuza.
Obra estratégica e controversa
O Governo do Pará afirma que a Avenida Liberdade é um dos maiores e mais estratégicos projetos de mobilidade urbana da Região Metropolitana de Belém. Executada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística do Pará (Seinfra), a obra já ultrapassa 85% de execução, segundo o Estado.
Com 13 quilômetros de extensão, a via promete integrar municípios, reduzir distâncias e desafogar o trânsito nos acessos à capital. A avenida ligará a Alça Viária à Avenida Perimetral, nas proximidades da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Anunciado em 2020, o projeto ganhou ritmo após a confirmação de Belém como sede da COP30. Inicialmente previsto para outubro de 2025, o cronograma foi reprogramado para o primeiro semestre de 2026.
Apesar da relevância estratégica, a obra é alvo de controvérsias. O traçado atravessa área de proteção ambiental e impacta territórios ocupados por pelo menos 250 famílias de povos e comunidades tradicionais. A intervenção já foi questionada judicialmente e gerou preocupação entre ambientalistas e moradores da região.
Governo ainda não se manifestou
O PORTAL VIGGO solicitou posicionamento oficial do Governo do Estado sobre as denúncias apresentadas pela comunidade quilombola do Abacatau, incluindo o andamento do asfaltamento da estrada, as condições estruturais do túnel e as demais reivindicações.
Até o momento da publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
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