“Robôs falham, mas quem sofre é o humano”, afirma Bianca Bin ao Portal Viggo
Em entrevista ao Portal Viggo, atriz fala sobre pressão no trabalho digital e os impactos emocionais retratados no thriller em cartaz no Theatro da Paz
Crédito: Annelize Tozetto A atriz Bianca Bin destacou a importância do debate sobre saúde mental e os impactos do trabalho na era digital durante entrevista exclusiva ao Portal Viggo, ao comentar os temas centrais do espetáculo JOB, em cartaz em Belém no Theatro da Paz.
Na montagem, Bianca interpreta Jane, uma moderadora de conteúdo responsável por analisar e remover publicações violentas e perturbadoras das redes sociais, uma função pouco conhecida do grande público, mas essencial para o funcionamento das plataformas digitais.
Após sofrer uma crise emocional que ganha repercussão na internet, a personagem é encaminhada para avaliação psicológica com o terapeuta Loyd, vivido pelo ator Edson Fieschi. O encontro entre os dois personagens conduz a narrativa para um intenso embate psicológico, que sustenta o suspense e aprofunda o debate sobre os limites emocionais do trabalho contemporâneo.
Segundo a atriz, a peça lança luz sobre profissionais que atuam nos bastidores da internet e enfrentam diariamente situações emocionalmente extremas.
“A gente não se ilude: precisa de um humano, porque os robôs falham, dão erros e inconsistências. Sempre existe uma pessoa por trás desse trabalho. E muitas vezes ela precisa ver coisas que abalariam qualquer pessoa”, afirmou.
Bianca explicou que esses trabalhadores não lidam apenas com conteúdos inadequados simples, mas com imagens e situações traumáticas, o que torna o exercício da função psicologicamente desgastante. “Não é deletar bobagem. São atrocidades. São coisas terríveis. O terapeuta até diz na peça que ninguém deveria precisar fazer esse trabalho.”
Pressão constante e metas inalcançáveis
Durante a conversa, a atriz ressaltou que JOB dialoga diretamente com a realidade contemporânea, marcada por cobranças permanentes, metas agressivas e sensação constante de insuficiência profissional.
“A peça aborda exatamente essa questão da saúde mental e o quanto a gente está trabalhando sob pressão, sempre atrás de uma meta, de um objetivo muitas vezes inalcançável.”
Na história, após sofrer uma crise emocional que se torna pública, Jane busca ajuda psicológica. É a partir desse encontro com o terapeuta que a narrativa toma rumos inesperados.
Sem revelar detalhes da trama, Edson Fieschi define o espetáculo como um intenso suspense psicológico. “Quando ela vai buscar ajuda nesse terapeuta, tudo muda. Esse é o grande barato da peça. A gente não pode dar spoiler, mas é um thriller que prende muito a atenção. São uma hora e dez minutos de muito suspense psicológico”, disse.
Reflexão necessária
Para Bianca Bin, o sucesso internacional de JOB está diretamente ligado à identificação do público com o tema. “Essa história reflete muito o quanto a gente tem negligenciado a nossa saúde mental.”
Com narrativa ágil e atmosfera de tensão crescente, o espetáculo propõe uma reflexão urgente sobre os limites entre trabalho, tecnologia e humanidade, questionando até que ponto o avanço digital tem ignorado o bem-estar emocional de quem mantém esse sistema funcionando.
SERVIÇO — JOB em Belém
📍 Theatro da Paz
🗓 28 de fevereiro — 20h
🗓 1º de março — 17h
🎟 Ingressos: Ticket Fácil
A temporada em Belém marca a chegada de um dos thrillers teatrais mais comentados dos últimos anos, trazendo ao público uma experiência intensa e atual sobre os desafios invisíveis do mundo conectado.
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