Falta de água revolta moradores de Belém e internautas ameaçam organizar protesto contra a Águas do Pará
Moradores de diversos bairros denunciam mais de 24 horas sem abastecimento neste sábado (31); revolta nas redes sociais cita o governo do Pará e a privatização dos serviços de saneamento no estado
Crédito: divulgação A população de Belém perdeu a paciência com a falta de água neste sábado (31). Moradores de diversos bairros da capital paraense relatam estar há mais de 24 horas sem abastecimento nas torneiras e usam as redes sociais para demonstrar indignação com a situação e cobrar explicações da Águas do Pará.
A revolta tomou conta da internet, com publicações que vão de reclamações sobre a interrupção frequente do serviço a críticas à empresa responsável pelo abastecimento. Alguns internautas também começaram a defender a organização de um protesto em frente à sede da concessionária.
Entre as mensagens que ganharam repercussão, alguns moradores relataram que o problema não é isolado e que a interrupção do fornecimento acontece repetidamente, em alguns casos, mais de uma vez por dia.
“Esses desgraçados cortam a água do meu bairro nada mais nada menos que DUAS VEZES ao dia e por hooooooras”, escreveu um internauta.
Outro comentário questionou a qualidade do serviço após a mudança na gestão do saneamento: “Os caras privatizam o negócio para, em tese, melhorar, e ficou inexistente”.
A insatisfação também chegou ao campo político. Um internauta associou a crise no abastecimento ao resultado das eleições no Pará e escreveu: “Hana, tu perdeu a eleição por causa da Águas do Pará! E todo dia isso se confirma”.
Além das reclamações, publicações nas redes sociais mencionaram a possibilidade de organizar uma manifestação em frente à sede da empresa. Algumas mensagens utilizaram linguagem de violência, demonstrando o nível de indignação de parte dos consumidores. Até o momento, não há confirmação de data ou organização oficial do protesto.
Concessão dos serviços ocorreu em 2025
A mudança na gestão do saneamento no Pará ocorreu durante o governo de Helder Barbalho (MDB), quando o Estado realizou o processo de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário à iniciativa privada.
Em abril de 2025, a Aegea Saneamento venceu o leilão dos blocos A, B e D, que abrangem 99 municípios paraenses. Posteriormente, em agosto, a empresa também venceu o leilão do bloco C. Os contratos preveem investimentos bilionários e concessão por 40 anos. 
A operação em Belém, Ananindeua e Marituba começou em setembro de 2025, por meio da concessionária Águas do Pará. Naquele período, Hana Ghassan era vice-governadora e também integrava a gestão estadual. 
Manutenção programada
A concessionária havia anunciado uma manutenção programada entre as 20h de sexta-feira (30) e as 5h deste sábado (31). A intervenção previa reparos em uma rede de distribuição e substituição de componentes do sistema de bombeamento.
Os bairros inicialmente apontados no comunicado foram Jurunas, Batista Campos, Cremação, Cidade Velha e parte da Condor. A previsão era de retomada gradual do abastecimento após a conclusão dos trabalhos. 
Entretanto, moradores afirmam que a falta de água começou ainda na tarde de sexta-feira e que, mesmo após o horário previsto para o término da manutenção, continuavam sem abastecimento.
A situação levanta questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado e o cumprimento das obrigações da concessionária. Para quem depende diariamente do fornecimento, ficar mais de um dia sem água representa um transtorno que afeta necessidades básicas.
A população cobra explicações da Águas do Pará e providências para que o problema não continue se repetindo.






COMENTÁRIOS