Flávio Bolsonaro confunde nome da mãe de Ana Clara e diz confiar que PM acusado não matou a menina
Senador confundiu o nome de Cristiane Gomes com o da filha durante o debate da Globo e afirmou confiar que o PM Bruno Dias Delaroli não foi responsável pelo disparo que matou a menina de 5 anos em Niterói
Crédito: acervo pessoal O senador Flávio Bolsonaro (PL) cometeu uma gafe durante o debate da TV Globo, na sexta-feira (23), ao confundir o nome de Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta em Niterói (RJ), em 2021. Ao comentar o caso, o parlamentar chamou a mãe pelo nome da própria filha e afirmou ter confiança de que o policial militar acusado pela morte da criança não foi o autor do disparo.
“Eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filha de 5 anos de idade”, declarou Flávio, antes de se referir à mãe como “Ana Clara”.
Na sequência, o senador sustentou que o episódio ocorreu durante uma troca de tiros em uma comunidade com presença do tráfico de drogas. Ele também afirmou que queria ajudar a mãe a descobrir quem efetuou o disparo que matou a menina.
“Porque eu tenho a confiança que não foi esse policial, ele sequer foi julgado ainda”, disse Flávio, referindo-se ao policial militar Bruno Dias Delaroli, cuja defesa jurídica integrou em 2024, sem cobrar honorários.
Marcelo Freixo contesta versão apresentada por Flávio
A declaração provocou reação de Marcelo Freixo, que contestou a versão apresentada pelo senador sobre as circunstâncias da morte de Ana Clara.
“O assassino de Ana Clara, Bruno Dias Delaroli, foi preso em flagrante. A perícia só encontrou cápsulas do fuzil dele em toda a região da cena do crime, não houve confronto, não houve tiroteio”, afirmou Freixo.
Ele também acusou Flávio de mentir durante o debate para defender o policial. A fala de Freixo é uma contestação à versão apresentada pelo senador sobre o caso.
O que aconteceu com Ana Clara?
Ana Clara Gomes Machado tinha 5 anos e foi atingida por um disparo de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava em frente de casa com o irmão mais novo, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
O Ministério Público do Rio de Janeiro acusa Bruno Dias Delaroli de ter efetuado o disparo que matou a criança. O policial foi preso em flagrante após o episódio, e a Justiça converteu a prisão em preventiva. Ele responde ao processo e nega ser o responsável pelo tiro.
Flávio Bolsonaro integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão que determinou que o caso fosse levado a júri popular. O julgamento foi adiado e está previsto para 5 de maio de 2027.
A presença de Cristiane Gomes no debate e a resposta de Flávio voltaram a colocar o caso no centro da disputa política, mais de cinco anos após a morte da menina.
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