Pará pode se tornar o maior produtor mineral do Brasil nos próximos anos, projeta presidente do Simineral
Em entrevista ao Portal Viggo, Emerson Rocha destacou a relação comercial com a China, a diversificação de mercados e a importância da mineração sustentável durante o lançamento da Carta Santarém
Crédito: divulgação O Pará poderá se tornar o maior produtor mineral do Brasil nos próximos dois a três anos. A projeção foi apresentada por Emerson Rocha, presidente executivo do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), em entrevista ao Portal Viggo nesta terça-feira (20), durante o lançamento da Carta Santarém, primeiro relatório ESG do setor mineral paraense.
Durante a entrevista, Emerson destacou a importância estratégica do estado para o mercado internacional, especialmente nas relações comerciais com a China, principal destino de parte significativa das exportações minerais paraenses.
“Hoje, quase 50% da balança comercial de exportação do Estado do Pará vai para a China. A gente está falando que, a cada três dólares de exportação, dois são com a China”, afirmou.
Apesar da concentração comercial, o presidente executivo do Simineral ressaltou que o Pará mantém relações econômicas com outros mercados internacionais. Segundo ele, a diversificação dos destinos das exportações e dos minerais comercializados é uma das prioridades do setor.
A China tem papel de destaque na compra de minério de ferro e cobre, enquanto outros países também possuem relevância para a economia mineral brasileira. Emerson citou a Suíça como exemplo, destacando sua posição como importante compradora de ouro do Brasil.
Transição energética amplia importância do Pará
Emerson Rocha também destacou que a demanda global por minerais tende a fortalecer a posição estratégica do Pará nos próximos anos, especialmente diante do avanço da transição energética.
O estado possui uma participação expressiva na produção nacional de minerais fundamentais para diferentes atividades industriais. Segundo os dados apresentados na Carta Santarém, o Pará responde por mais de 90% da produção brasileira de bauxita, mais de 70% da produção de cobre e mais de 40% da produção de minério de ferro.
Para o presidente do Simineral, essa diversidade mineral representa uma vantagem competitiva para o estado no cenário internacional.
“A transição energética passa por esses minerais e a concentração deles está aqui no nosso estado”, destacou.
O dirigente também defendeu que o fortalecimento da atividade mineral seja acompanhado por políticas responsáveis nas áreas ambiental e social, com participação do poder público, das empresas e da sociedade.
Produção mineral cresceu mais de 50%
Os números da Carta Santarém reforçam a relevância da mineração para a economia paraense. Entre 2010 e 2024, a produção mineral do estado cresceu mais de 50%, enquanto a média nacional avançou 18,6% no mesmo período.
Em 2024, o Pará produziu aproximadamente 302,7 milhões de toneladas de minerais, o equivalente a 18,4% de toda a produção brasileira, consolidando-se como a segunda maior província mineral do país.
O relatório também apresenta indicadores relacionados à gestão ambiental e aos impactos sociais da atividade. Em 2025, o setor registrou uma taxa média de reúso de água de 75%, totalizando 12,6 milhões de metros cúbicos reutilizados nos processos produtivos.
Além disso, foram destinados mais de R$ 2 bilhões a investimentos obrigatórios e voluntários, incluindo projetos sociais que beneficiaram direta e indiretamente mais de 132 mil pessoas.
Carta Santarém reúne indicadores de sustentabilidade
Lançada oficialmente pelo Simineral, em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), a Carta Santarém é o primeiro relatório ESG do setor mineral do Pará.
O documento reúne mais de 40 indicadores de sustentabilidade, com informações de dez empresas associadas ao sindicato, buscando ampliar a transparência sobre as práticas ambientais, sociais e de governança da indústria mineral.
Emerson Rocha afirmou que o papel do Simineral é contribuir para a construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento da atividade, articulando iniciativas com o governo, as empresas e a sociedade.
“Nós temos a total capacidade de liderar a produção nacional e sermos um exemplo de mineração sustentável para o Brasil e para o mundo”, concluiu o presidente executivo do sindicato.
A expectativa apresentada pelo setor é que o crescimento da produção seja acompanhado pelo fortalecimento das práticas de responsabilidade ambiental e social, consolidando o Pará como protagonista da mineração brasileira.
ASSISTA:






COMENTÁRIOS