PF investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e advogado amigo do senador
Reportagem do Jornal Nacional exibida nesta segunda-feira (19) revelou que investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional; senador também é investigado em outro inquérito no STF
Crédito: acervo pessoal A Polícia Federal (PF) realizou buscas contra Humberto Pradeira, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de repassar informações sigilosas de processos e antecipar decisões do tribunal ao advogado Willer Tomás, apontado como amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). O caso foi divulgado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, nesta segunda-feira (19).
Pradeira havia sido exonerado do cargo na sexta-feira (16). Segundo a reportagem, os investigadores encontraram no celular de Willer uma fotografia de um documento que ainda estava em elaboração no STJ, enviada pelo ex-secretário. O material levantou suspeitas de vazamento de informações internas do tribunal.
Investigação começou com suspeitas envolvendo apostas
A apuração teve início na primeira instância da Justiça Federal do Rio Grande do Sul e investigava, originalmente, possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo casas de apostas.
Durante a análise dos dados do celular de Willer Tomás, a Polícia Federal encontrou e-mails que, segundo a investigação, indicariam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como usuário máster de uma conta bancária vinculada a uma empresa do advogado.
O relatório policial também menciona festas, encontros e reuniões entre os dois, além do pagamento de viagens ao senador. De acordo com a PF, a movimentação financeira de Willer seria incompatível com as atividades econômicas declaradas pelo advogado.
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em razão do foro por prerrogativa de função de Flávio Bolsonaro. A relatoria ficou com o ministro Alexandre de Moraes, que autorizou a operação desta segunda-feira, considerada a primeira medida para aprofundar os fatos relacionados ao advogado.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato eletrônico e violação de sigilo funcional. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam uma condenação dos envolvidos.
Flávio Bolsonaro também é investigado em outro inquérito
A reportagem do Jornal Nacional lembrou que Flávio Bolsonaro é investigado em outro procedimento no STF. Nesse caso, a apuração envolve suspeitas relacionadas ao financiamento, por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que dizem os envolvidos
Em nota, o Superior Tribunal de Justiça informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e vazamento de informações. O tribunal também declarou ter aberto procedimentos administrativos para apurar possíveis infrações.
A defesa de Willer Tomás negou categoricamente que ele tenha tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal. Também negou interferência em manifestações e afirmou desconhecer o relatório da PF citado na reportagem. Os advogados repudiaram a divulgação seletiva de informações durante o período eleitoral, com menções a terceiros que, segundo a defesa, não teriam relação com os fatos investigados.
Já a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que a relação entre o senador e Willer é exclusivamente de amizade. Segundo os advogados, qualquer tentativa de associar essa proximidade pessoal a irregularidades seria uma ilação sem fundamento nos fatos.
A defesa também declarou que o senador nunca manteve conta bancária, nem por meio de suas empresas, na qual Willer Tomás figurasse como usuário máster.
As investigações seguem em andamento, e as suspeitas deverão ser esclarecidas no decorrer dos procedimentos policiais e judiciais.
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