Mulher de Caetano Veloso, Paula Lavigne pede a Lula: “Acabe com essas bets”
Produtora de shows e presidente da associação Procure Saber criticou a presença das casas de apostas no financiamento cultural e afirmou que o setor enfrenta plateias vazias
Crédito: acervo pessoal A produtora de shows Paula Lavigne, mulher do cantor Caetano Veloso, fez um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma reunião e pediu medidas contra a atuação das casas de apostas, as chamadas bets, no Brasil. Segundo ela, o setor cultural enfrenta dificuldades e artistas menores seriam os mais prejudicados pela presença das empresas no mercado.
Durante a fala, Paula afirmou que trabalha há cerca de 40 anos com produção de shows e disse nunca ter visto um cenário semelhante. Ao comentar a situação do setor, ela também atribuiu parte dos problemas ao período iniciado após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e fez uma crítica ao ex-presidente Michel Temer.
“Eu promovo o show há 40 anos e eu nunca vi nada igual, as plateias estão vazias, vazias”, declarou Paula. Segundo ela, apesar da percepção de que existe uma grande oferta de eventos, apresentações gratuitas continuam atraindo grande público.
A produtora também criticou o uso de recursos públicos e citou as emendas destinadas a shows de artistas sertanejos antes de direcionar seu principal pedido ao presidente Lula.
“Então, o meu pedido é que acabe com esse horror no Brasil. A gente vivia sem isso. A gente era feliz e não sabia. A gente não tinha bet na vida da gente”, afirmou.
Paula argumentou ainda que artistas de grande projeção possuem maior poder de escolha diante de possíveis contratos de patrocínio com empresas de apostas, enquanto músicos de menor alcance teriam menos alternativas.
“O artista chega no show, o Caetano, a Marisa Monte, a Anitta, o próprio Emicida, eles podem dizer: eu não vou fazer um show patrocinado por bet. Mas os artistas pequenos não, presidente. Eles chegam lá, eles têm que fazer, senão eles não vão viver”, disse.
Crítica à Lei Rouanet
Na sequência, Paula, que também preside a associação Procure Saber, pediu que o governo impeça que casas de apostas utilizem a Lei Rouanet para financiar projetos culturais.
Ela argumentou que artistas de maior projeção não costumam depender do mecanismo e destacou as exigências de prestação de contas da legislação.
“Lei Rouanet é uma lei chata de usar. Por quê? Porque a prestação de contas é uma prestação detalhada, é uma prestação que você tem que dizer tudo o que você gasta”, afirmou.
Segundo Paula, caso as bets continuem utilizando mecanismos de incentivo cultural, artistas poderiam ficar submetidos a uma relação de dependência com as empresas.
“Presidente, por favor, se o senhor não conseguir impedir que tenha bets no Brasil, não deixe que essas bets usem a Lei Rouanet”, pediu.
Ao encerrar, a produtora reforçou o apelo ao presidente: “Acabe com essas bets. Se não poder acabar, que nos poupe delas. Obrigada.”
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