Raquel Lyra diz que passou em concurso “sem furar fila” e fala é vista como indireta para João Campos
Candidata à reeleição em Pernambuco relembrou trajetória como delegada e afirmou que passou em concurso “sem furar fila”; fala foi associada por pernambucanos à polêmica envolvendo nomeação de filho de juiz para cargo na Prefeitura do Recife
Crédito: divulgação / Brenno Carvalho / Agência O Globo A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra, fez um comentário em sua nova propaganda eleitoral na televisão que foi interpretado por pernambucanos como uma indireta ao candidato ao governo do Estado, João Campos.
Durante o programa, Raquel relembrou o período em que atuava como delegada e destacou que enfrentou questionamentos por ser mulher na carreira pública.
“Quando eu era delegada, disseram que não era coisa de mulher. Passei no concurso sem furar fila…”
A declaração repercutiu especialmente pelo trecho em que a candidata afirma ter passado no concurso “sem furar fila”. Nas redes sociais, a fala foi relacionada à polêmica envolvendo a nomeação de Lucas Vieira Silva, filho do juiz Rildo Vieira da Silva, para o cargo de procurador do município do Recife durante a gestão de João Campos, então prefeito da capital pernambucana.
Lucas foi nomeado em dezembro de 2025 para uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência (PcD). Ele havia ficado inicialmente na 63ª posição na ampla concorrência, mas apresentou posteriormente um laudo médico com diagnóstico de autismo e passou a ocupar o primeiro lugar na lista da cota.
A nomeação provocou forte repercussão negativa. Isso ocorreu também porque, dias antes, o pai do candidato, o juiz Rildo Vieira da Silva, havia arquivado um pedido de investigação relacionado à gestão municipal. Outro candidato que ocupava anteriormente o primeiro lugar na lista de PcD acabou perdendo a vaga.
Diante das críticas, a Prefeitura do Recife anulou a nomeação em 31 de dezembro de 2025.
O caso também chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a investigação da conduta do magistrado relacionada ao episódio.
Na propaganda, Raquel Lyra não cita João Campos nem menciona diretamente o episódio. A associação com o caso partiu de interpretações de eleitores e internautas, principalmente pela referência a concurso público e à expressão “sem furar fila”.
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