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Rio de Janeiro,25/08/2026

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    Da comunidade para a tela: jovens do Pará e Maranhão transformam vivências em cinema

    Projeto Cultura na Praça oferece oficinas gratuitas de audiovisual e já envolveu mais de 400 jovens na produção de 50 curtas-metragens


    Da comunidade para a tela: jovens do Pará e Maranhão transformam vivências em cinema Crédito: divulgação

    Uma câmera pode ser muito mais do que uma ferramenta para fazer cinema. Para jovens de comunidades do Pará e do Maranhão, ela tem se transformado em instrumento de expressão, pertencimento e descoberta de novas possibilidades para o futuro.


    Essa é uma das propostas do Cultura na Praça, projeto que, ao longo de oito edições, já percorreu mais de 25 mil quilômetros e envolveu mais de 400 jovens em oficinas gratuitas de cinema. Patrocinada pela Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet), a iniciativa tem parceria do Instituto Tatajuba e realização da Vivas Cultura e Esporte e do Ministério da Cultura.


    Ao todo, foram produzidos 50 curtas-metragens, disponibilizados gratuitamente, inclusive com recursos de acessibilidade, na plataforma do projeto.


    Mais do que ensinar técnicas de roteiro, direção, fotografia e edição, a iniciativa busca estimular os participantes a contar histórias relacionadas às próprias comunidades e experiências.


    Para o cineasta e coordenador do projeto, Cris Azzi, o cinema funciona como uma ferramenta para despertar a criatividade e o protagonismo dos jovens.


    “O Cultura na Praça é um convite para uma experiência, e o cinema é o caminho para essa experiência acontecer.”


    Segundo ele, o processo de produção é tão importante quanto o resultado final. A proposta é permitir que os participantes tenham contato com diferentes etapas da criação audiovisual e, ao mesmo tempo, desenvolvam confiança para transformar ideias em projetos.


    Impactos que vão além do cinema


    As mudanças provocadas pelas oficinas também aparecem fora das telas. De acordo com Cris, professores e familiares já relataram transformações no comportamento de participantes, como maior confiança, comunicação e envolvimento com os estudos.


    “Quando esses jovens percebem que são capazes de realizar um filme, entendem que também podem realizar muitos outros sonhos. É uma descoberta da própria potência”, afirma.


    Para alguns participantes, a experiência também se tornou o primeiro passo para uma trajetória profissional no audiovisual. Há jovens que ingressaram na universidade, criaram produtoras independentes, passaram a trabalhar com edição de vídeos ou desenvolveram iniciativas ligadas à comunicação e à cultura em suas próprias comunidades.


    Histórias de um Brasil que nem sempre chega às telas


    Além da formação, os filmes produzidos nas oficinas ajudam a registrar diferentes realidades do interior do país. Sotaques, paisagens, tradições e histórias locais ganham espaço nas produções.


    Para Cris Azzi, esse é um dos principais diferenciais do projeto.


    “Quando você assiste aos filmes do Cultura na Praça, conhece um Brasil pouco divulgado. Mesmo quando as histórias são ficcionais, elas carregam a identidade daquele território, das pessoas e da cultura local”, explica.


    A iniciativa busca, dessa forma, ampliar o acesso à produção audiovisual e estimular que histórias de comunidades afastadas dos grandes centros também sejam contadas por quem vive essas realidades.


    De participante a produtor audiovisual


    Um dos exemplos dessa transformação é Gabriel Vieira Santos, de 20 anos, morador de Serra Pelada, no sudeste do Pará.


    Ele participou do Cultura na Praça em 2021, aos 15 anos. Na época, integrou a produção do curta “O Reflexo do Tesouro”, que aborda a história de Serra Pelada a partir de uma perspectiva diferente: a verdadeira riqueza do local estaria nas pessoas que vivem na comunidade.


    “Foi muito especial transformar essa ideia em um filme”, relembra Gabriel.


    A experiência despertou no jovem o interesse pelo audiovisual. Atualmente, ele trabalha como produtor e integra uma produtora criada ao lado de amigos da comunidade. O próximo objetivo é ingressar em um curso de Cinema.


    Gabriel também destaca o aprendizado proporcionado pelo trabalho coletivo durante as oficinas.


    “No começo eu imaginava que várias pessoas pensando diferente seria um problema. Depois percebi que era justamente o contrário. Cada ideia foi melhorando a outra, e o resultado ficou muito mais rico.”


    Para ele, a experiência também mudou sua percepção sobre o próprio processo de produção cinematográfica.


    “O roteiro que você escreve nunca será exatamente o filme que chega ao final. Você descobre novas possibilidades durante as gravações e também na montagem. Isso mudou completamente a forma como eu vejo o audiovisual.”


    Hoje, o jovem considera que a participação no projeto foi determinante para transformar o interesse pelo cinema em um objetivo profissional.


    “Foi esse empurrão que eu precisava. Quero fazer faculdade de Cinema, escrever roteiros, dirigir filmes e viver disso um dia. O projeto mostrou que esse sonho pode ser possível”, afirma.


    Formação e desenvolvimento das comunidades


    Criado em 2017, o Cultura na Praça realiza oficinas gratuitas e mostras itinerantes no interior do Pará e do Maranhão. A iniciativa aposta na educação cultural como ferramenta de transformação social e econômica, estimulando o protagonismo dos jovens e valorizando os patrimônios materiais e imateriais dos territórios visitados.


    O projeto também busca movimentar a economia das próprias regiões atendidas. Para isso, prioriza a contratação de profissionais e fornecedores locais durante a realização das atividades.


    Com oito edições realizadas, o Cultura na Praça mostra que o acesso ao cinema pode começar dentro da própria comunidade, e que uma oficina pode ser o primeiro passo para jovens descobrirem talentos, contarem suas próprias histórias e até transformarem a paixão pelo audiovisual em profissão.


    Serviço: os curtas-metragens produzidos pelo projeto podem ser assistidos gratuitamente em culturanapraca.art.br.




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