Cripta da Basílica de Nazaré ganha nova vida após 33 meses de obras e recebe mais de 2 mil visitantes
Espaço histórico foi recuperado durante o maior projeto de restauração dos 117 anos da Basílica e deverá ganhar novo calendário de visitações e atividades educativas
Crédito: Portal Viggo A Cripta da Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, ganhou um novo capítulo em sua história após passar por um processo de requalificação realizado durante o projeto de restauração integral do templo. O espaço, que durante décadas permaneceu restrito e cercado de histórias e curiosidades, foi aberto ao público na semana passada em uma programação especial que marcou a conclusão das obras da Basílica.
Mais de 2 mil pessoas visitaram a Cripta durante a programação de visitação mediada, que apresentou ao público detalhes sobre a história do espaço, da Basílica e dos religiosos que tiveram relação com o local.
A requalificação faz parte do maior projeto de restauro já realizado na história da Basílica Santuário de Nazaré. As obras duraram 33 meses e foram executadas praticamente de portas abertas, permitindo que fiéis, visitantes e turistas acompanhassem o trabalho dos profissionais enquanto as atividades religiosas continuavam acontecendo.
Em entrevista ao Portal Viggo, Magaly Caldas, professora de Geografia e integrante da equipe administrativa das ações educativas do projeto de restauração, explicou que a Cripta foi um dos espaços contemplados pelas intervenções.
“A gente está aqui na Cripta, que é um espaço que foi requalificado a partir da obra de restauração da Basílica de Nazaré”, afirmou.
Segundo Magaly, a recuperação do ambiente está inserida em um projeto desenvolvido por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Vale, que teve entre seus objetivos a preservação do patrimônio histórico e cultural, a educação patrimonial e a criação de novas possibilidades de utilização do espaço.
Um espaço histórico que volta a ser conhecido pelo público
A Cripta foi originalmente concebida para receber o sepultamento de religiosos considerados importantes para a história da Basílica. Ao longo dos anos, cinco padres foram sepultados no local.
Apesar da importância histórica desses sepultamentos, os restos mortais não estão atualmente na Cripta. De acordo com Magaly, as relíquias continuam sendo consideradas patrimônio da Igreja, mas ainda não há uma definição sobre se retornarão ao espaço ou se permanecerão em outro local.
“Essas relíquias continuam como patrimônio da Igreja”, explicou.
A ausência dos restos mortais, entretanto, não diminui a importância histórica da Cripta. Com a requalificação, o espaço passa a ser integrado de maneira mais ampla às ações do Santuário, podendo receber celebrações religiosas, atividades educativas e visitas mediadas.
A proposta é justamente aproximar o público de ambientes que fazem parte da história da Basílica, mas que nem sempre são conhecidos pelos visitantes que chegam ao Santuário durante o Círio de Nazaré ou ao longo do ano.
Visitas mediadas durante a entrega do restauro
A abertura da Cripta ao público aconteceu em uma programação especial realizada durante a semana de conclusão do projeto de restauração.
As visitas foram acompanhadas por profissionais envolvidos nas ações educativas e tiveram como objetivo apresentar não apenas o espaço físico, mas também o contexto histórico relacionado à Cripta e à própria Basílica.
Para Magaly, a experiência permite que o público compreenda que a restauração vai além da recuperação estética de um prédio histórico.
A iniciativa também transforma o próprio processo de preservação em uma ferramenta de educação patrimonial, aproximando moradores, turistas e fiéis da história de um dos principais símbolos religiosos e culturais do Pará.
Durante a programação especial, mais de 2 mil pessoas passaram pelo espaço.
A lenda do túnel subterrâneo
Entre as histórias que cercam a Cripta está uma das mais conhecidas do imaginário popular de Belém: a suposta existência de um túnel subterrâneo que ligaria a Basílica a outros pontos da cidade.
A história despertou a curiosidade dos visitantes durante as atividades educativas. No entanto, apesar das buscas e das intervenções realizadas no local, o famoso túnel não foi encontrado.
“Não achamos esse túnel. Eu queria ter achado, mas não encontramos o túnel que liga”, contou Magaly, em tom descontraído.
A professora também fez referência a outra história popular relacionada ao imaginário da região, mostrando como as lendas fazem parte da relação da população com espaços históricos como a Basílica.
Cripta poderá receber missas e novas atividades
Com a requalificação concluída, a Cripta não deverá ser apenas um espaço de visitação.
A ideia é que o ambiente também seja utilizado pela Igreja para missas, celebrações e outras atividades religiosas. Ao mesmo tempo, a equipe responsável pelas ações educativas pretende criar uma programação que permita a participação do público em geral.
A visitação especial realizada nesta semana foi encerrada, mas a expectativa é que novas oportunidades sejam anunciadas.
“A gente encerrou essa semana em comemoração à entrega da obra e ainda vai montar um calendário de atividades. Como vamos ter celebrações aqui, também vamos montar um calendário de atividades que respeitem as atividades da Basílica, mas que também atendam o público geral”, explicou Magaly.
As próximas datas deverão ser divulgadas pelos canais oficiais da Basílica Santuário de Nazaré, incluindo o site e as redes sociais.
33 meses para restaurar um dos maiores símbolos de Belém
A recuperação da Cripta faz parte de uma intervenção muito maior: o projeto de restauração integral da Basílica Santuário de Nazaré.
Inaugurada em 1909, a Basílica completa 117 anos e é considerada um dos principais patrimônios religiosos, históricos e culturais da Amazônia.
O projeto foi executado ao longo de 33 meses e adotou uma metodologia considerada diferenciada para uma obra de restauração dessa dimensão. A Basílica permaneceu aberta durante praticamente todo o período, conciliando a execução das intervenções com missas, celebrações e atividades pastorais.
Durante todo o período, o templo precisou ser fechado apenas uma vez, por uma semana, pouco antes da entrega da primeira etapa das obras, em setembro de 2025.
Na prática, o restauro transformou o próprio canteiro de obras em um espaço de aproximação entre a população e o patrimônio.
Altares, vitrais, pinturas e estrutura foram recuperados
O projeto contemplou uma ampla recuperação dos elementos artísticos e arquitetônicos da Basílica.
Entre os itens restaurados estão altares, capelas laterais, vitrais, pinturas decorativas, elementos em pedra, telhados e forros, além de sistemas de iluminação e diferentes estruturas de infraestrutura.
A intenção foi recuperar características originais do patrimônio e, ao mesmo tempo, garantir melhores condições de conservação para as próximas gerações.
A restauração também incluiu a requalificação de espaços históricos, como a própria Cripta, ampliando as possibilidades de acesso e utilização do conjunto arquitetônico.
Nova subestação elétrica prepara a Basílica para o futuro
Além dos elementos artísticos e arquitetônicos, o projeto também promoveu importantes melhorias na infraestrutura da Basílica.
Uma das principais intervenções foi a implantação de uma nova subestação elétrica, desenvolvida para aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia e acompanhar a evolução tecnológica dos sistemas instalados no Santuário.
Segundo Marcos Oliveira, engenheiro da Link da Amazônia, empresa responsável pela execução do restauro, a nova estrutura representa um avanço na infraestrutura do templo.
Antes de entrar em operação, a subestação passou por testes e pelo processo de comissionamento dos equipamentos, garantindo que os sistemas funcionassem de acordo com as especificações técnicas previstas no projeto.
“Não foi um projeto desenvolvido do dia para a noite. Foram meses analisando cada espaço, porque a Basílica permaneceu em pleno funcionamento. Cada equipamento foi pensado para garantir segurança, operação adequada e preservar a arquitetura do local”, explicou o engenheiro eletricista Yuri Santos.
Com a nova estrutura, o Santuário passa a contar com uma infraestrutura elétrica mais moderna e segura para receber as atividades religiosas, culturais e os milhares de fiéis que passam pelo local.
Restauro também gerou emprego e movimentou a economia
O projeto teve ainda impacto na economia local. Cerca de 80 pessoas estiveram envolvidas direta e indiretamente nas diferentes etapas das obras.
Um dos destaques é que 100% da mão de obra utilizada foi formada por profissionais paraenses.
A iniciativa também contou com a participação de mulheres em diferentes áreas de atuação, ampliando a presença feminina em um setor tradicionalmente marcado pela predominância masculina.
De acordo com Luci Azevedo, coordenadora geral do projeto de restauro, os impactos econômicos foram além das equipes diretamente envolvidas na obra.
“A gente não pode deixar de levar em consideração os vários impactos que um projeto de restauração como esse promove. É para além do canteiro de obras. Ele movimenta a economia da cidade, empregando diversos profissionais da restauração e da construção civil, na compra de insumos para a obra, além de profissionais do audiovisual, do jornalismo e da educação”, destacou.
Para ela, os empregos e oportunidades foram gerados direta e indiretamente desde 2023, envolvendo diferentes setores ligados ao projeto.
Preservação, educação e memória
O projeto de restauração foi desenvolvido a partir de pesquisas históricas e estudos técnicos realizados por especialistas em patrimônio cultural.
A proposta não foi apenas recuperar a estrutura física da Basílica, mas preservar a memória e a identidade cultural associadas ao espaço.
“A iniciativa alia conservação patrimonial, educação patrimonial, acessibilidade e modernização da infraestrutura. É uma forma de contribuir para a valorização da memória e da identidade cultural do Pará”, pontuou Luci Azevedo.
Nesse contexto, a Cripta ganha importância especial. A partir da requalificação, o espaço passa a ser uma nova porta de entrada para a história da Basílica, permitindo que visitantes conheçam detalhes que durante muito tempo ficaram longe do olhar do público.
Entrega oficial acontece nesta segunda-feira
A entrega oficial da Basílica Santuário de Nazaré restaurada acontece nesta segunda-feira (24), a partir das 18h.
A programação começa com uma Santa Missa presidida por Dom Julio Endi Akamine, arcebispo metropolitano de Belém.
Após a celebração, será inaugurada a Placa do Restauro na entrada do Santuário. Em seguida, será exibido um trecho do documentário produzido sobre o projeto, mostrando bastidores, desafios e resultados dos 33 meses de trabalho.
A cerimônia terá a presença de representantes da patrocinadora Vale, da Link da Amazônia, dos padres Barnabitas, da coordenação do projeto, da Diretoria da Festa de Nazaré e do reitor da Basílica Santuário de Nazaré, Padre Francisco Silva.
Um novo capítulo para a Cripta
Com o fim das obras, a Cripta deixa de ser apenas um espaço associado às histórias antigas da Basílica e passa a integrar uma nova proposta de utilização, preservação e educação patrimonial.
A expectativa é que, após a elaboração do calendário de atividades, o público possa voltar a conhecer o local em visitas mediadas e outras ações, sempre respeitando a programação religiosa do Santuário.
Para quem deseja acompanhar as próximas oportunidades de visitação, a orientação é ficar atento ao site e às redes sociais oficiais da Basílica Santuário de Nazaré.
Após receber mais de 2 mil visitantes durante a programação especial, a Cripta se prepara para continuar contando sua história, agora com um espaço requalificado e aberto a novas experiências de fé, memória, cultura e educação patrimonial.
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