Preservativo sem látex natural é produzido pela primeira vez no Brasil
Novo produto é fabricado com látex sintético de poliisopreno, produzido no Brasil, e amplia as opções de proteção sexual para pessoas com alergia ao látex natural
Crédito: Portal Viggo A Inaltex, indústria brasileira de preservativos sediada em São Roque (SP), lançou o Prosex Pro, preservativo lubrificado desenvolvido sem borracha natural em sua composição. O produto é fabricado com látex sintético de poliisopreno, produzido no Brasil pela Cariflex, em uma unidade instalada em Paulínia (SP).
Segundo a empresa, a Inaltex é a primeira fabricante do país a desenvolver e produzir, em território nacional, um preservativo com esse tipo de tecnologia. O lançamento amplia as opções disponíveis para pessoas com sensibilidade ou alergia ao látex natural.

O produto passa por teste eletrônico individual antes de ser embalado, procedimento de controle de qualidade adotado pela Inaltex em toda a linha de preservativos lubrificados da marca.
De acordo com informações do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a prevalência de sensibilização ao látex na população em geral é inferior a 1%. Entre grupos considerados de maior risco, como profissionais da área da saúde e pacientes submetidos a múltiplas cirurgias, o índice pode chegar a 30%.
Produção nacional
O lançamento ocorre em um mercado que ainda apresenta forte dependência de produtos importados. Estimativas do setor apontam que aproximadamente 95% dos preservativos comercializados no Brasil são importados.
Nos últimos anos, marcas que historicamente mantinham produção nacional, como Jontex, Olla e Blowtex, encerraram operações fabris no país e passaram a importar produtos, principalmente de países asiáticos.
Dados da consultoria IQVIA, no acumulado de 12 meses de 2026 (MAT 2026), apontam que o mercado brasileiro de preservativos no canal farmacêutico movimentou R$ 704,9 milhões, crescimento acumulado de 37% em cinco anos. A categoria de saúde sexual e masculina ocupa a nona posição entre os segmentos de Consumer Health e, segundo a mesma base, apresenta crescimento consistente no canal farmacêutico.
Fábrica tem mais de cinco décadas de história
A unidade onde atualmente funciona a Inaltex tem uma história que remonta a 1969, quando começou a produção da marca Olla. Ao longo das décadas, a fábrica passou por diferentes controladores, sendo adquirida pelo grupo Hypermarcas em 2009 e pela Reckitt Benckiser em 2017.
Em 2019, a Reckitt encerrou a fabricação de preservativos e géis lubrificantes no Brasil e passou a importar os produtos de países como China e Tailândia.
No ano seguinte, em 2020, José Araújo e o filho, Denis Araújo, reabriram a fábrica no mesmo endereço e fundaram a Inaltex. A empresa retomou a produção nacional e colocou novamente no mercado as marcas Prosex, Oba e Prelude.
Atualmente, a unidade ocupa uma área de 16 mil metros quadrados, possui laboratório microbiológico próprio e credenciamento junto ao Falcão Bauer, Centro Tecnológico de Controle da Qualidade. A fábrica também conta com certificação da Anvisa de Boas Práticas de Fabricação e certificação ISO 9001.
Segundo a Inaltex, a unidade representa cerca de 60% da capacidade produtiva instalada do mercado nacional de preservativos, com produção superior a 200 unidades por minuto. A empresa possui atualmente 17 registros ativos na Anvisa, distribuídos entre as marcas Prosex, Oba e Prelude.
Para Denis Araújo, presidente da Inaltex, o desenvolvimento do novo produto representa um avanço para a produção nacional.
“Produzir o Prosex Pro no Brasil, com matéria-prima nacional, tira essa tecnologia da dependência de importação e garante mais uma opção segura para quem tem alergia ao látex natural. É a indústria nacional resolvendo um problema de saúde pública.”




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