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Rio de Janeiro,21/07/2026

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    Dia Mundial do Cérebro reforça importância da prevenção para preservar a saúde cognitiva ao longo da vida

    Campanha mundial alerta para o aumento das doenças neurológicas e destaca que hábitos saudáveis, estímulos cognitivos e diagnóstico precoce podem ajudar a reduzir os impactos do envelhecimento


    Dia Mundial do Cérebro reforça importância da prevenção para preservar a saúde cognitiva ao longo da vida Crédito: Portal Viggo

    Celebrado em 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro chama a atenção para um desafio crescente da saúde pública: o aumento das doenças neurológicas em uma população que envelhece cada vez mais. Neste ano, a campanha da Federação Mundial de Neurologia (WFN) traz o tema “Saúde cerebral: acesso para todos”, defendendo que a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso aos cuidados especializados sejam ampliados em todo o mundo.


    Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as doenças neurológicas já representam a principal causa de incapacidade global, afetando mais de 3,4 bilhões de pessoas. Embora possam surgir em qualquer fase da vida, enfermidades neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, tornam-se mais frequentes com o avanço da idade.


    No Brasil, o envelhecimento da população reforça esse cenário. Segundo o IBGE, cerca de 33 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, número que deve crescer significativamente nas próximas décadas. Já o Relatório Nacional sobre a Demência estima que aproximadamente 2,71 milhões de idosos convivam com algum tipo de demência, podendo ultrapassar 5,6 milhões até 2050.


    Para especialistas, esse panorama exige que a saúde cerebral deixe de ser vista apenas sob a perspectiva do tratamento de doenças e passe a fazer parte das estratégias de promoção da saúde ao longo de toda a vida.


    A diretora pedagógica do Supera Estimulação Cognitiva, Patrícia Lessa, afirma que o fortalecimento da chamada reserva cognitiva pode contribuir para reduzir a vulnerabilidade ao declínio funcional durante o envelhecimento.


    “Precisamos deixar de falar apenas sobre tratamento e passar a discutir prevenção, promoção da saúde cerebral e cuidado ao longo de toda a vida”, destaca.


    Segundo ela, hábitos como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, dormir bem, preservar a convivência social e estimular constantemente o cérebro por meio de novos aprendizados ajudam a fortalecer as conexões neurais e favorecem a saúde cognitiva.


    Estudo aponta benefícios da estimulação cognitiva


    Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP reforça os benefícios desse cuidado preventivo.


    Publicado na revista científica International Psychogeriatrics, o estudo acompanhou 207 idosos saudáveis durante dois anos. Os participantes que realizaram um programa estruturado de estimulação cognitiva apresentaram melhora de aproximadamente 45% na memória, redução de 60% nas queixas cognitivas e diminuição de 29% dos sintomas depressivos, além de avanços em habilidades como planejamento, organização e tomada de decisões.


    A gerontóloga Dra. Thaís Bento, doutora em Neurologia pela USP e uma das autoras da pesquisa, explica que nunca é cedo, nem tarde, para investir na saúde do cérebro.


    “A estimulação cognitiva pode ser iniciada em qualquer fase da vida, antes mesmo do surgimento de sinais de declínio cognitivo”, afirma.


    Ela destaca que o cérebro mantém sua capacidade de adaptação ao longo da vida e responde positivamente a novos desafios e aprendizados, fortalecendo as conexões entre os neurônios e contribuindo para preservar as funções cognitivas.


    Além dos ganhos relacionados à memória e ao raciocínio, o estudo também identificou benefícios para a saúde emocional e para o convívio social, fatores importantes para manter a autonomia durante o envelhecimento.


    Para os especialistas, diante do rápido envelhecimento da população brasileira, investir na prevenção e na promoção da saúde cerebral tende a ser cada vez mais importante, tanto para melhorar a qualidade de vida quanto para reduzir os impactos das doenças neurodegenerativas sobre os sistemas de saúde.




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