Cardiologista alerta que calor extremo pode aumentar riscos para hipertensos e pacientes cardíacos
Em entrevista ao Portal Viggo, Antônio Monteiro explica como altas temperaturas podem agravar doenças cardiovasculares e destaca cuidados essenciais para prevenir complicações
Crédito: Portal Viggo As ondas de calor cada vez mais frequentes têm acendido um alerta entre especialistas da área da saúde. Em entrevista ao Portal Viggo, o cardiologista Antônio Monteiro explicou que períodos de temperaturas elevadas podem representar riscos importantes para pessoas com hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares.
Segundo o médico, o calor intenso obriga o organismo a trabalhar mais para manter a temperatura corporal estável. Nesse processo, os vasos sanguíneos se dilatam e ocorre aumento da transpiração, provocando perda de água e sais minerais. Quando essa reposição não acontece de forma adequada, podem surgir quadros de desidratação, alterações na pressão arterial e aumento da frequência cardíaca.
“Em pessoas com hipertensão ou outras doenças cardiovasculares, essas mudanças podem sobrecarregar o coração e aumentar o risco de complicações, como infarto, AVC, arritmias e descompensação da insuficiência cardíaca”, destacou.
O especialista também comentou sobre informações que circulam nas redes sociais relacionando o fenômeno El Niño ao aumento de mortes entre pessoas hipertensas. De acordo com Antônio Monteiro, é importante contextualizar esse tipo de afirmação.
“O El Niño não provoca mortes diretamente. O que acontece é que esse fenômeno favorece períodos de calor mais intenso em diversas regiões, e o calor extremo pode agravar doenças cardiovasculares já existentes”, explicou.
O cardiologista ressalta que pessoas com a pressão arterial controlada não devem entrar em pânico, mas alerta que idosos, pacientes com doenças cardíacas, diabetes, problemas renais ou que utilizam medicamentos diuréticos precisam redobrar a atenção durante períodos de calor intenso.
Entre os principais cuidados recomendados estão manter uma boa hidratação, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, usar roupas leves, permanecer em ambientes ventilados e reduzir atividades físicas intensas quando as temperaturas estiverem elevadas.
O médico reforça ainda que os medicamentos para controle da pressão arterial não devem ser interrompidos sem orientação profissional. Em alguns casos, especialmente entre pacientes com insuficiência cardíaca ou que utilizam diuréticos, pode ser necessário ajustar o tratamento, mas somente com acompanhamento médico.
Antônio Monteiro também alerta para sinais que exigem atendimento imediato, como dor no peito, falta de ar importante, desmaios, tontura persistente, palpitações intensas, confusão mental, fraqueza acentuada e temperatura corporal muito elevada.
“Esses sintomas podem indicar desde um quadro de insolação até complicações cardiovasculares graves, como infarto, AVC ou arritmias”, afirmou.
Para o especialista, a prevenção continua sendo a melhor estratégia diante do aumento da frequência dos eventos de calor extremo observado nos últimos anos. Além de seguir as recomendações de hidratação e proteção contra o calor, ele destaca a importância de manter doenças crônicas sob controle e acompanhar alertas meteorológicos.
“Com as mudanças climáticas, eventos de calor extremo têm se tornado mais frequentes. Adotar medidas simples de prevenção e manter as doenças crônicas bem controladas pode reduzir significativamente o risco de complicações cardiovasculares”, concluiu.
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