Psica ajudou a ampliar visibilidade da cultura das aparelhagens no Brasil, afirma Gerson Dias
Em entrevista ao Portal Viggo, Gerson Dias afirmou que a cultura das aparelhagens faz parte do DNA do povo paraense e destacou o papel do Psica na valorização e difusão desse movimento para o Brasil
Crédito: Psica A presença das aparelhagens no Festival Psica já se tornou uma das marcas do evento, mas nem sempre foi assim. Em entrevista exclusiva ao Portal Viggo, o diretor e curador do festival, Gerson Dias, explicou por que a organização decidiu dar protagonismo às aparelhagens ao lado de grandes artistas nacionais e internacionais e destacou a importância desse movimento para a valorização da cultura paraense.
Segundo Gerson, a cultura das aparelhagens faz parte da identidade do povo paraense e também da própria história dos criadores do festival.
“A cultura de aparelhagem está no nosso DNA. Faz parte de quem a gente é. Todo paraense aprende a cantar uma música de aparelhagem passando na rua. Eu e meu irmão, que somos os idealizadores do festival, viemos dessa cultura. Meu pai era pirateiro e a gente frequentava festas de aparelhagem, esperava os DJs terminarem os sets para gravar os CDs e distribuir pela cidade”, relembrou.
O curador contou que, quando o Psica começou a expandir sua programação e ganhar projeção nacional, percebeu que era necessário incluir de forma definitiva uma das maiores expressões culturais da Amazônia.
“Não fazia sentido falar de cultura periférica, cultura popular, cultura amazônica e movimentos de massa sem incluir as aparelhagens. A gente entendeu que isso era um erro que precisava ser corrigido. Quando tivemos condições de ampliar o festival, trouxemos as aparelhagens e nunca mais deixamos de ter”, afirmou.
Para Gerson Dias, o Psica também exerce um papel importante ao apresentar essa manifestação cultural para visitantes de outras regiões do país que muitas vezes nunca tiveram contato com uma festa de aparelhagem.
“Muita gente que vai ao Psica nunca teve a oportunidade de ver uma aparelhagem. Recebemos pessoas do Sul, Sudeste e Nordeste e mostramos essa cultura para elas. É uma forma de apresentar o que a gente faz aqui e mostrar uma das melhores coisas que temos no Brasil inteiro”, disse.
O diretor destacou ainda a grandiosidade tecnológica das aparelhagens paraenses, que unem música, iluminação, efeitos visuais, performances e inovação.
“A cultura de aparelhagem é uma das coisas mais tecnológicas que existem. Tem show pirotécnico, estrutura gigantesca, performance de DJ. É algo que a gente precisa se orgulhar. Precisamos colocar isso na frente de todo mundo e mostrar quem nós somos”, declarou.
Durante a entrevista, Gerson também avaliou que o olhar dos próprios paraenses sobre a cultura popular amazônica mudou nos últimos anos.
“O belenense durante muito tempo renegou algumas coisas da sua própria cultura. Hoje a gente vê um movimento contrário. As pessoas estão abraçando suas raízes, valorizando sua identidade e entendendo a importância daquilo que sempre fez parte da nossa história”, observou.
O curador acredita que o Psica contribuiu para ampliar o interesse nacional pelas aparelhagens ao levar curadores, produtores e representantes de grandes eventos para conhecer de perto a cena cultural paraense.
“A gente traz programadores da Virada Cultural de São Paulo, curadores de festivais e profissionais de vários lugares do país justamente para mostrar o que temos aqui. Muitas vezes eles olham para uma aparelhagem e perguntam: ‘o que é isso?’. E saem querendo levar essa experiência para outros estados. Isso ajuda a fazer a nossa cultura circular pelo Brasil”, afirmou.
Para Gerson Dias, esse trabalho de valorização não beneficia apenas as aparelhagens, mas também os artistas amazônicos de diferentes gerações.
“O Psica abre uma janela para artistas novos, artistas consagrados e para manifestações culturais da Amazônia mostrarem seu trabalho. Isso reverbera não só no Brasil, mas também no mundo inteiro”, concluiu.
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