“Não adianta rezar o terço às 4 da manhã e depois não servir aos mais pobres”, diz padre Júlio Lancellotti
Sacerdote afirmou que não basta rezar de madrugada se os fiéis não praticarem a solidariedade e o cuidado com os mais pobres
Crédito: Felipe Araújo / Estadão Conteúdo O padre Júlio Lancellotti voltou a chamar atenção para a situação das pessoas em vulnerabilidade social durante a homilia da missa de Corpus Christi celebrada nesta quinta-feira (4). Conhecido por seu trabalho junto à população em situação de rua, o sacerdote defendeu que a fé cristã deve ser acompanhada por ações concretas de solidariedade.
Durante a reflexão, Lancellotti comentou sobre iniciativas de oração realizadas durante a madrugada e afirmou que a prática religiosa perde o sentido quando não é acompanhada de gestos de acolhimento ao próximo.
“Você pode rezar o terço às 4 da manhã e às 6 chutar o morador de rua para a rua. Não adianta rezar o terço às 4 da manhã e depois não servir aos mais pobres, aos fracos e aos pequenos”, declarou.
O padre destacou que a oração é importante, mas reforçou que o compromisso cristão também passa pelo cuidado com quem enfrenta dificuldades diárias. Em um dos trechos mais marcantes da homilia, ele citou trabalhadores que saem cedo para o trabalho levando marmitas em condições precárias e pediu atenção às necessidades dos mais vulneráveis.
Lancellotti também incentivou os fiéis a transformarem a espiritualidade em atitudes práticas, sugerindo que, após os momentos de oração, as pessoas ofereçam alimento e apoio à população em situação de rua.
“Pode rezar de madrugada, é muito bom, mas quando for seis horas da manhã, vai levar um café para o irmão de rua, vai levar um pão para o irmão de rua”, afirmou.
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