Show de Alok é suspenso após Justiça questionar repasse de R$ 1,8 milhão do Governo do Piauí
Evento da Aurea Tour segue suspenso após Justiça questionar uso de recursos públicos
Crédito: Governo do Piauí A Justiça do Piauí decidiu manter a suspensão do show gratuito do DJ Alok, que aconteceria neste sábado (25), em Teresina. O entendimento foi reafirmado após a análise de um agravo de instrumento apresentado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que tentava reverter a decisão anterior.
O evento integra a Aurea Tour e contava com patrocínio de R$ 1,8 milhão do Governo do Piauí, por meio da Secretaria de Turismo (Setur). Na sexta-feira (24), a contratação já havia sido questionada judicialmente sob o argumento de “risco de dano ao erário”, devido ao alto valor envolvido.
Ao recorrer, a PGE defendeu a legalidade do contrato, alegou ausência de prejuízo aos cofres públicos e destacou possíveis perdas financeiras com o cancelamento. Mesmo assim, o pedido foi negado pelo plantão judiciário, que considerou não haver ilegalidade evidente que justificasse a suspensão imediata da decisão.
Na nova decisão, o magistrado também afirmou que não cabe, naquele momento, uma análise aprofundada de questões mais complexas do processo.
Inicialmente, a Justiça havia determinado multa pessoal de R$ 1,8 milhão ao governador e ao secretário de Turismo em caso de descumprimento. Após o recurso, a penalidade foi reduzida para R$ 100 mil, agora direcionada ao próprio Governo do Estado, e não mais aos gestores individualmente.
Além disso, segue proibida qualquer despesa vinculada ao evento, incluindo pagamentos já previstos e novas contratações relacionadas ao show.
Argumentos da decisão
Um dos trechos da decisão destaca a inadequação do gasto diante das prioridades do Estado:
“Diante da realidade atual, não se permite gastos dessa monta com um único evento festivo […] em detrimento de serviços essenciais como saneamento, educação, segurança e saúde.”
Defesa da produtora
Em nota, a Kalor Produções, responsável pelo evento, afirmou respeitar a decisão judicial, mas reforçou que o projeto tem natureza privada e foi estruturado dentro da legalidade.
A empresa explicou que o show seria viabilizado por uma combinação de receitas, incluindo venda de ingressos, bar, patrocínios privados e contrapartida pública. Segundo a produtora, o investimento total supera significativamente o valor repassado pelo Estado.
A Kalor também argumenta que esse modelo é comum em grandes eventos nacionais, citando exemplos como festivais e festas tradicionais, e que gera impacto econômico positivo, com estímulo ao turismo, geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva.
Ainda segundo a empresa, mais de 1.500 profissionais estariam envolvidos na execução do evento. A produtora informou que irá recorrer da decisão em regime de urgência.
Estrutura e expectativa
O show em Teresina prometia uma megaestrutura, com palco em formato de pirâmide de cerca de 30 metros de altura, mais de 600 m² de painéis de LED, 376 equipamentos de iluminação e drones luminosos.
O line-up incluía ainda nomes como Zeeba, Future Class, Tineway, DJ Eme e Tori. A capital piauiense seria a primeira do Nordeste a receber a turnê.
Apesar da mobilização e da expectativa do público, o evento segue suspenso até nova decisão da Justiça.
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