Brasil lidera ranking de fraudes na América Latina com avanço de golpes digitais
Com mais de 80% das transações feitas por canais digitais, avanço tecnológico amplia inclusão, mas também facilita golpes e pressiona bancos por soluções mais seguras
Crédito: Reprodução Mais da metade dos brasileiros já foi vítima de fraude financeira, um número alarmante que segue em crescimento e revela fragilidades em um sistema cada vez mais digital. Atualmente, 82% das transações bancárias no país são realizadas por canais digitais, sendo 75% via mobile banking, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
A digitalização trouxe avanços importantes, como maior conveniência e inclusão financeira. Hoje, milhões de pessoas conseguem acessar serviços bancários sem sair de casa, especialmente usuários com mobilidade reduzida ou que vivem em regiões onde o acesso a agências físicas é limitado. No entanto, esse mesmo ambiente também abriu espaço para a atuação de criminosos.
Dados da Aliança Global Antifraude (GASA) mostram que 50,7% dos brasileiros foram vítimas de algum tipo de fraude no último ano — um aumento significativo em relação a 2023. O Brasil lidera o ranking na América Latina, à frente de países como México e Colômbia. O impacto é ainda mais severo entre públicos vulneráveis, como idosos, pessoas de baixa renda e usuários com pouca familiaridade com tecnologia.
O avanço de ferramentas baseadas em inteligência artificial agravou o cenário. Golpistas têm utilizado recursos como deepfakes e identidades sintéticas para simular rostos, vozes e comportamentos, tornando métodos tradicionais de segurança, como senhas e códigos por SMS, cada vez menos eficazes.
Um levantamento da Adyen revela que 42% dos brasileiros já sofreram perdas financeiras diretas por fraudes, com prejuízo médio de R$ 2.288 por vítima, um aumento de 44%. Além do impacto financeiro, o cenário também afeta a confiança no sistema bancário digital.
Enquanto isso, o uso de canais físicos segue em queda e representa apenas 5% das transações. O crescimento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, acelerou ainda mais essa transformação. Em 2025, a ferramenta já contabilizava 159,9 milhões de usuários e foi responsável por impulsionar um recorde de 208,2 bilhões de transações no país.
Diante desse cenário, a biometria tem ganhado protagonismo como alternativa mais segura para a verificação de identidade. Ao utilizar características únicas dos usuários, como reconhecimento facial e impressões digitais, a tecnologia dificulta fraudes e reduz a dependência de credenciais tradicionais. Segundo a Febraban, soluções biométricas já estão presentes em 75% dos bancos brasileiros.
Além de reforçar a segurança, a biometria também contribui para a inclusão financeira. Em um país onde cerca de 20,5 milhões de pessoas ainda não têm acesso à internet, soluções que funcionam diretamente no dispositivo, sem necessidade de conexão constante, ampliam o alcance dos serviços bancários.
Tecnologias com processamento local, por exemplo, evitam o envio de dados sensíveis para servidores externos, reduzindo riscos de vazamento e facilitando a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Esse modelo também dispensa o uso de equipamentos específicos, permitindo que a autenticação seja feita em smartphones comuns.
Para especialistas, o grande desafio do setor financeiro agora é equilibrar segurança, usabilidade e escala. “A digitalização criou novas oportunidades, mas também ampliou os riscos. Tecnologias que mantêm os dados no próprio dispositivo representam um avanço importante em segurança e privacidade”, afirma Jesús Aragón, CEO da Identy.io.









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