Pará ganha seu primeiro Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama
Espaço, fruto de parceria com a Proteção Animal Mundial e a UFRA, poderá receber até 5 mil animais por ano e abrigará tanques especiais para peixes-boi
Crédito: Portal Viggo O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) inaugurou o novo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Benevides, na Região Metropolitana de Belém. O espaço foi totalmente reformado a partir de um Acordo de Cooperação com a organização internacional Proteção Animal Mundial e promete se tornar uma referência nacional na recuperação da fauna silvestre, integrando a Rede Cetas, que reúne 25 unidades em 21 estados brasileiros.
De acordo com o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, a inauguração representa um marco histórico para a conservação da biodiversidade amazônica.
“O estado abriga uma fauna riquíssima, com espécies como araras, macacos, quelônios e felinos que sofrem com o desmatamento, a expansão das cidades e os efeitos das mudanças climáticas. O Cetas surge para preencher essa lacuna, visando receber animais vítimas de atropelamentos, apreendidos em operações contra o tráfico ou encontrados em áreas urbanas”, afirmou.
O centro poderá receber cerca de 5 mil animais por ano, incluindo espécies ameaçadas de extinção, como o gavião-real, a jaguatirica e o peixe-boi amazônico. A estrutura conta com oito salas de quarentena, doze recintos de reabilitação, alojamento para os funcionários e áreas administrativas.
Parceria científica
O projeto também fortalece a colaboração com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, que cedeu o terreno para a construção do centro. Segundo a reitora Janae Gonçalves, o convênio abre novas oportunidades de ensino e pesquisa.
“Estamos finalizando um Acordo de Cooperação Técnica com o Ibama que vai institucionalizar essa parceria, permitindo a inclusão de programas de residência médica veterinária no Cetas e o fortalecimento da atuação conjunta com o Hospital Veterinário e o CETRAS/UFRA. O espaço será de vivência prática para nossos alunos de graduação e pós-graduação”, destacou.
Reabilitação de peixes-boi
Um dos diferenciais do Cetas Benevides é a infraestrutura voltada à reabilitação de peixes-boi amazônicos, espécie símbolo da fauna aquática da região. O espaço contará com tanques especiais para receber animais resgatados, especialmente filhotes, durante os períodos de seca.
“Atualmente, outras instituições apreendem animais, mas a destinação final é limitada. Com o novo Cetas, será possível reabilitá-los e devolvê-los com segurança à natureza”, afirmou o superintendente do Ibama no Pará, Alex Lacerda.
O centro também será integrado ao Programa de Conservação do Peixe-boi da Amazônia, que já recuperou mais de 60 animais no estado.
Participação da sociedade civil
A parceria com a Proteção Animal Mundial inclui ações de capacitação, aprimoramento das estruturas e monitoramento pós-soltura. A próxima etapa da reforma prevê a construção de um prédio administrativo, um túnel de voo para aves, novos recintos e um laboratório veterinário.
“Os Cetas recebem animais vítimas do tráfico, do desmatamento e da perda de habitat. Garantir que eles tenham uma segunda chance de voltar à natureza é um esforço coletivo. Para nós, que prezamos o bem-estar animal, é uma honra apoiar o Ibama nessa missão”, destacou Rodrigo Gerhardt, gerente de vida silvestre da Proteção Animal Mundial.
Contexto amazônico
Em 2024, o Pará registrou resgates de dezenas de aves como papagaios, bicudos, curiós e rouxinóis, além de jacarés, cobras, jabutis e aranhas-caranguejeiras. Parte desses animais foi apreendida em operações contra o tráfico e em cativeiros domésticos.
Os 25 Cetas do Ibama no Brasil recebem, em média, 65 mil animais por ano, sendo 72% aves, 15% répteis e 12% mamíferos. Após triagem e reabilitação, os animais aptos são devolvidos ao habitat natural. Aqueles que não podem retornar à vida livre são encaminhados a outras instituições, conforme a legislação ambiental.
Com a inauguração do Cetas Benevides, o Pará ganha um novo polo de conservação e pesquisa, fortalecendo o compromisso com a preservação da fauna e o enfrentamento ao tráfico de animais silvestres, um dos maiores desafios ambientais do país.
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