Apoio empresarial e corrida acirrada: “O Agente Secreto” e “Manas” disputam vaga do Brasil no Oscar 2026
Longa de Marianna Brennand ganha apoio de 70 empresas e do ator Sean Penn, enquanto o filme de Kleber Mendonça Filho chega como favorito após vencer quatro prêmios em Cannes
Crédito: Victor Juca/Reprodução/Festival de Cannes / Divulgação Cerca de 70 empresas brasileiras de diferentes setores anunciaram apoio ao longa-metragem Manas, dirigido pela pernambucana Marianna Brennand, que concorre a uma vaga como representante do Brasil no Oscar 2026. O movimento empresarial tem como objetivo ampliar a discussão sobre a violência sexual contra meninas, tema central da obra, ambientada na Ilha de Marajó, no Pará.
O apoio foi formalizado em uma carta aberta assinada por nomes de peso como Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza e Grupo Mulheres do Brasil), Laís Peretto (Childhood Brasil), Luciana Temer (Instituto Liberta), Clarissa Sadock (Comerc Energia) e Ernesto Pousada (Vibra). O documento defende a necessidade de dar visibilidade a um problema urgente e estrutural no país.
A disputa entre dois favoritos
A lista de seis finalistas brasileiros ao Oscar de Melhor Filme Internacional, divulgada pela Academia Brasileira de Cinema, surpreendeu pela diversidade de propostas estéticas e temáticas. Foram escolhidos:
• Baby, de Marcelo Caetano
• Kasa Branca, de Luciano Vidigal
• Manas, de Marianna Brennand
• O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
• O Último Azul, de Gabriel Mascaro
• Oeste Outra Vez, de Erico Rassi
Entre os títulos, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, despontava como favorito. A produção conquistou quatro prêmios no Festival de Cannes, incluindo Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção, reforçando seu prestígio internacional. A expectativa era de que o filme fosse a escolha “natural” da Academia.
No entanto, Manas surpreendeu o cenário. Com apoio de grandes companhias nacionais, a adesão de artistas brasileiros e a entrada do ator norte-americano Sean Penn como produtor executivo, o longa ganhou força inesperada na disputa.
Polêmica nas redes sociais
A atriz Fernanda Torres, que viveu um momento histórico no Oscar 2025 ao ser premiada por Ainda Estou Aqui, também movimentou o debate. Em suas redes sociais, celebrou a entrada de Sean Penn na produção de Manas: “Muito feliz de saber que o Sean Penn embarcou como produtor do Manas. O Penn foi o primeiro a abraçar Ainda Estou Aqui, quando desembarcamos em Los Angeles. O Manas merece demais”.
A declaração foi interpretada por alguns internautas como uma forma de boicote a O Agente Secreto. Diante das críticas, a atriz tratou de equilibrar o discurso e também divulgou o filme de Mendonça Filho: “Doida para ver”, escreveu, sobre a sessão especial da obra no Festival de Brasília, marcada para esta sexta-feira (12/9), que pode ser decisiva para a escolha dos acadêmicos.
O que contam os filmes finalistas
O Agente Secreto – Ambientado em Recife no final dos anos 1970, acompanha Marcelo, um professor de tecnologia que tenta deixar para trás um passado obscuro. Sua busca por recomeço, no entanto, esbarra no caos da cidade e na desconfiança dos vizinhos, mergulhando-o novamente em um universo de paranoia e vigilância.
Manas – A história segue Marcielle, de 13 anos, moradora de uma comunidade ribeirinha no Marajó. Inspirada pela irmã mais velha que “foi embora com um homem bom”, a menina começa a confrontar a dura realidade da exploração e dos abusos que marcam sua vida. Entre a inocência da infância e a brutalidade da vida adulta, ela decide enfrentar a engrenagem de violência que oprime sua comunidade.
Expectativa para a escolha
A decisão final da Academia Brasileira de Cinema será anunciada na próxima segunda-feira (15). A escolha promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos, dividindo críticos, público e até mesmo artistas que tradicionalmente buscam unidade em torno de um único candidato.
Enquanto O Agente Secreto surge como aposta segura para chegar longe na temporada internacional de prêmios, Manas conquista espaço por sua relevância social e força política, abrindo uma disputa que promete movimentar ainda mais os bastidores da corrida ao Oscar.





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